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“Fui posto na rua”

Quinó, ex-treinador do Tramagal, magoado pela forma como deixou o clube do coração

A decisão apanhou todos de surpresa. Quino, técnico do Tramagal, foi despedido do comando da equipa sénior. As declarações à imprensa, em que elogiou os atletas pelo seu empenho nos jogos, apesar dos quatro meses de subsídios em atraso, estarão por trás da decisão dos responsáveis do clube.

Edição de 26.04.2006 | Desporto
O treinador Joaquim Nunes, mais conhecido por Quinó, foi afastado do comando técnico da equipa sénior do Tramagal Sport União. “Fui posto na rua, por uma interpretação abusiva de declarações que fiz”, disse o conhecido técnico ao nosso jornal.Quinó é um dos mais carismáticos e respeitados treinadores do distrito de Santarém e tem uma longa ligação ao Tramagal, terra onde vive, onde foi jogador, dirigente e treinador.“A seguir ao jogo que disputámos com o Águias de Alpiarça, falei para os jornalistas presentes e manifestei a minha satisfação e orgulho pela actuação dos jogadores que, depois da pesada derrota 10-0 sofrida no Cartaxo, souberam reagir e venceram o Ferreira do Zêzere e vieram empatar a Alpiarça, deitando para trás das costas o facto de terem quatro meses de subsídios em atraso”, disse o técnico. O problema é que os dirigentes do Tramagal entenderam que com as declarações que proferiu, Quinó lhes estava a chamar incompetentes, e chamaram-no para uma reunião, onde lhe foi colocada a questão. “Respondi-lhes que apenas quis realçar o trabalho dos jogadores. Mas ao mesmo tempo e no calor da discussão disse que numa direcção em que quatro dos seus membros são engenheiros, lamentava que não soubessem fazer contas, pois eles diziam-me que não deviam quatro meses”.O treinador explica que o último dinheiro que jogadores e técnicos receberam foi em meados de Dezembro. “Os dirigentes presentes na reunião disseram-me então que iam discutir e resolver o meu problema e depois me diriam o que fosse decidido. Passado algum tempo telefonaram-me para o telemóvel a dizer que estava despedido. Não tiveram sequer a coragem de me dizerem isso cara a cara”, disse Quino, com a emoção a embargar-lhe a voz.Para Quinó foi uma situação particularmente aborrecida porque o Tramagal é a sua terra e o clube tem um lugar bem definido na sua vida. “Dei muito de mim ao Tramagal e tenho pena de ter que deixar os jogadores que estão ao seu serviço, que mesmo com os subsídios em atraso como eu tenho, nunca regatearam esforços para dignificar o clube”.Contactado por O MIRANTE, o chefe do departamento de futebol do Tramagal, Ernesto Castro, não quis prestar grandes declarações. Disse apenas que Quinó foi dispensado pela direcção devido a algumas afirmações que fez em entrevistas à rádio. Recusou também confirmar ou desmentir os quatro meses de subsídios em atraso, referindo que isso é um assunto interno do clube.A equipa ficou entregue ao treinador adjunto de Quinó, Manuel Correia, que deverá ficar até ao final da época.

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