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Antena de telecomunicações estraga paisagem

População da Carregueira exige a retirada da estrutura instalada num jardim público

Cerca de 300 habitantes da Carregueira subscreveram um abaixo-assinado exigindo a remoção da antena para outro local.

Edição de 26.04.2006 | Sociedade
A colocação de uma antena de telemóveis, da operadora Vodafone, no jardim central da Carregueira, Chamusca, está a indignar a população da aldeia. Os habitantes já se mobilizaram e entregaram na sessão da assembleia de freguesia, realizada quinta-feira, um abaixo-assinado com cerca de três centenas de assinaturas onde se exige a retirada da estrutura do local.O abaixo-assinado, promovido pelo denominado Grupo de Amigos da Aldeia da Carregueira, foi entregue por Gilberto Ferreira, que foi acompanhado por um numeroso grupo de pessoas que lotou por completo a pequena sala e os corredores da junta de freguesia. “Nunca esteve tanta gente junta no interior da sede da junta”, reconheceu o presidente da autarquia Francisco Costa.A reunião da assembleia de freguesia não foi marcada para discutir o caso da antena, mas esse foi o assunto que dominou por completo a sessão. Os fregueses presentes quiseram ouvir da boca dos responsáveis a justificação para a colocação da antena no jardim que dizem ser a sala de visitas da aldeia.Embora esclarecendo que não era contra a colocação da antena naquele local, o presidente da junta garantiu que o processo não tinha passado por ele. “Foi uma decisão da Câmara Municipal da Chamusca e nós não fomos chamados a dar qualquer parecer. O terreno é da câmara e é ela que faz o licenciamento”, garantiu, acrescentando também que a colocação da antena é para servir a população da Carregueira “e há muita gente de acordo”.Esta explicação, que pretendia colocar água na fervura, acabou por inflamar ainda mais os ânimos. Várias vozes levantaram-se para dizer que não acreditavam que o presidente da junta não tivesse sido ouvido e a agitação subiu de tom. Francisco Costa tentou levar a discussão para o lado político e para o facto de não haver estudos que garantam que as radiações sejam prejudiciais à saúde. E garantiu saber que algumas das pessoas que puseram a sua assinatura no abaixo-assinado tinham sido coagidas, tendo algumas delas querido posteriormente retirar o seu nome.O que motivou um coro de vozes contra o presidente da junta, porque, segundo os promotores do documento, só assinou quem quis e a principal objecção à colocação da antena é a localização. “Há tanto terreno fora da aldeia, porque raio é que aquele mamarracho teve que ser colocado na nossa sala de visitas”, perguntou Fernando Valador.Os promotores do abaixo-assinado garantem que vão até às últimas consequências para que ela seja dali retirada. Câmara não pensou na questão estéticaO vice-presidente da Câmara Municipal da Chamusca, Francisco Matias (CDU), confirmou a O MIRANTE que a Junta de Freguesia da Carregueira não foi ouvida oficialmente, mas que houve conversas informais com o presidente que nunca se opôs à colocação da antena no local. “A empresa solicitou-nos a disponibilização de um terreno na Carregueira para colocar uma antena de proximidade para telemóveis de 3ª geração e para servir a população da freguesia, a troco de uma determinada renda mensal. Apresentámos vários locais e numa primeira fase foi encontrado um terreno que era o ideal, mas que foi rejeitado por parte dos habitantes da zona. Foi então que por motivos técnicos e práticos se chegou à conclusão de que aquela zona do jardim era a ideal e demos o parecer positivo”, revelou Francisco Matias.O vice-presidente da câmara achou estranho que se tivessem mobilizado 300 pessoas para uma questão tão secundária e que seria bom estudar de onde partiu a criação do Grupo de Amigos da Aldeia da Carregueira - “um grupo até agora desconhecido”.Francisco Matias admitiu ainda que a autorização da autarquia para a colocação da antena naquele local se deveu apenas a questões técnicas, nunca se tendo colocado a questão estética. “Não foi uma embirração nossa. Aceito que a questão estética é uma questão pertinente, e garanto que se efectivamente o abaixo-assinado nos chegar à mão, vamos ouvir toda a gente, e decidir em conformidade”, garantiu Francisco Matias.

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