uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante
“Até à próxima senhor juiz”

“Até à próxima senhor juiz”

Condenado a 18 anos de prisão aguarda novo cúmulo em Benavente

Cumpre 18 anos de prisão por burla e falsificação e aguarda o terceiro cúmulo jurídico que vai agravar a pena. Manuel Levita, 45 anos, denunciou algumas fragilidades do sistema numa conversa informal com o juiz presidente no Tribunal de Benavente.

Edição de 26.04.2006 | Sociedade
“Oh! Senhor Levita, isto está tudo engatado. O senhor já foi condenado no Seixal?”, a interpelação é do juiz presidente do colectivo do Tribunal de Benavente e o senhor Levita é um dos arguidos mais conhecido de vários tribunais. Manuel Levita, cerca de 45 anos, está preso há 13 anos e tem ainda para cumprir uma pena de 18 anos de prisão por vários crimes de burla e falsificação em vários pontos do país. Na quinta-feira esperava conhecer um novo agravamento da pena, mas a viagem foi em vão.O cúmulo jurídico foi adiado para 11 de Maio porque está instalada a confusão. O tribunal teve de pedir certidão de um acórdão que faltava para fazer o cúmulo.O arguido tinha a correr 14 processos. Metade está pendente no Ministério Público, um aguarda julgamento no Seixal e os restantes já conheceram os acórdãos que vão engordar o cúmulo.“O de Sesimbra já está, graças a Deus”, explicou o arguido numa conversa prévia com o juiz Pedro Lucas. Depois Manuel Levita apresentou a lista dos processos que correram nos tribunais de Mafra, Évora, Lisboa, Coimbra, Cascais Leiria e Seixal. Este último é um dos casos mais bicudos. “Já lá fui três vezes, foi sempre adiado e agora foi adiado sineidie”, referiu.A determinada altura, confrontado com o número de um processo a correr no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, Manuel fica baralhado e afirma:V/Ex.a não me diga que já me arranjaram mais um processo”. Depois de esclarecida a confusão, houve uma expressão de alívio. Sempre é menos um.Para reforçar as deficiências “do sistema”, o arguido contou ainda outra situação onde foi chamado ao Porto pela PJ para ser inquirido por factos posteriores à sua última captura há quatro anos e meio. “O agente pediu-me desculpa e disse que vai ser arquivado”, referiu.Viver na prisão e no tribunalA vida de Manuel Levita é feita na prisão e nos tribunais. Quase todas as semanas sai para diligências. O tempo livre e o convívio com reclusos e agentes da justiça permite-lhe estudar o actual estado da justiça que classifica com uma nota muito má.“Quando sair daqui vou escrever a todos os juízes e pedir o aceleramento dos meus processos. V/Ex.a desculpe falar assim, mas já vi se pode falar consigo”, disse.O juiz agradeceu a colaboração no esclarecimento. “Não tem que pedir desculpas, já o fez muitas vezes. Eu agradeço a sua colaboração, não sabe a carga de trabalhos que isto é, às vezes estou de volta dos processos às três da manhã e surgem estas dúvidas”, afirmou o magistrado.A empatia quebrou a distância que habitualmente separa os magistrados dos arguidos. Manuel Levita despediu-se do tribunal com um “até à próxima”.Nelson Silva Lopes
“Até à próxima senhor juiz”

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...