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Clientes de luxo

Clientes de luxo

Edição de 26.04.2006 | Sociedade
Um homem estaciona à beira da Estrada Nacional 366, entre Alcoentre e Aveiras de Cima, concelho de Azambuja. Sobe o estrado de madeira que dá acesso à roulotte e pede uma bebida e um maço de tabaco. Não responde às perguntas. Assim que percebe que há uma jornalista no local mete-se no carro e arranca a toda a velocidade. “Acertou mesmo na pessoa. É um GNR”, explica a proprietária da roulotte, que também tem outros clientes de luxo. “Temos um presidente de câmara que à noite, depois das reuniões, vem aqui comer com o executivo”, explica orgulhoso o proprietário do espaço, Tomás José, 52 anos.São 18h00. Maria Eugénia, a esposa, 56 anos, acaba de ligar a frigideira. O aroma das omoletas de fiambre espalha-se pela esplanada da roulotte. Ao lado do balcão o proprietário já construiu um abrigo para quem procura a roulotte nos dias mais ventosos. As bifanas para vender logo à noite estão numa caixa de plástico. Ao lado a carne para preparar a sopa. Ao contrário de muitas roulottes da região o ponto de venda vizinho da Companhia Logística de Combustíveis de Aveiras de Cima tem casa de banho e água canalizada. A carrinha é um dos espaços de venda ambulante estacionados na estrada há vários anos. Tem licença até Junho, mas apesar de cumprir os requisitos básicos a Câmara Municipal de Azambuja quer acabar com a venda ambulante fora do espaço das feiras e mercados e já aprovou um novo regulamento que vai restringir esta actividade. A partir de agora só poderão vender no recinto da feira por um período de 12 horas.O comerciante Tomás José não compreende a medida e garante que com a idade e com o problema de saúde quem tem não irá conseguir arranjar outro emprego. “Os governantes também se esquecem que o país também trabalha de noite”, contesta.José Manuel Pratas compreende que os comerciantes ambulantes fiquem prejudicados, mas argumenta que há comerciantes de estabelecimentos fixos que se sentem lesados com a concorrência feita durante o dia. O vereador com o pelouro dos mercados e feiras, José Manuel Pratas, explicou ao nosso jornal que as roulottes não cumprem o estipulado na licença dos vendedores ambulantes uma vez que estão sempre no mesmo espaço. A mesma situação se passa no concelho de Benavente. O presidente da câmara, José António Ganhão, adianta que no concelho existem vendedores ambulantes credenciados, que no entanto não respeitam o regulamento por estarem permanentemente no mesmo local. O autarca garante que a fiscalização está a ser reforçada.
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