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Uma barreira de betão sob a Linha do Norte

Uma barreira de betão sob a Linha do Norte

Habitantes de Vila Nova contestam passagem pedonal inferior

A Refer construiu uma passagem pedonal sob a linha do Norte, em Vila Nova, Tomar, que é contestada por grande parte da população, devido à altura do betão.

Edição de 26.04.2006 | Sociedade
Para aceder ao outro lado da Linha do Norte os habitantes de Vila Nova, Tomar, têm de percorrer mais de cem metros “enfiados” entre duas paredes de 4,5 metros de altura. Durante o percurso a única vista que têm é a do céu e mesmo que circulem sós têm sempre o eco dos sapatos a acompanhá-los.O acesso ao túnel sob a linha-férrea foi aberto há pouco mais de dois meses e desde então as queixas dos moradores não param de chegar à Junta de Freguesia de Paialvo.O presidente da junta, Custódio Ferreira (CDU), já deu conta do desagrado da população à Rede Ferroviária Nacional (Refer) mas sabe que será já difícil a empresa alterar uma obra que considera não só “perigosa” como de “mau gosto”.O autarca acusa a empresa de ter feito “aquele disparate” sem nunca ter ouvido a junta ou a população, que é a principal penalizada com a situação. Os habitantes também se queixam da falta de segurança no local e do desperdício do dinheiro dos contribuintes. “Tanto betão dava para construir três vivendas”, refere João Dias da Silva.“Eu nunca passo aqui à noite”, refere outra moradora, que diz ter medo de ser assaltada. “Se alguém quiser fazer mal este é o sítio certo, primeiro que alguém nos venha acudir já o ladrão fugiu”, adianta Hortênsia Pereira, apontando para o longo caminho ladeado por altas paredes de betão.A “espectacular obra-prima”, como ironicamente lhe chama João Dias da Silva, parece não ter apoiantes na terra. “Eu, que sou homem, tenho um bocado de receio de passar aqui depois do sol se pôr, quanto fará as senhoras”, replica o habitante.Que adianta ser um metro e meio a altura ideal para as paredes de acesso ao túnel. “O resto poderia ser feito com rede ou placas transparentes, de modo a que as pessoas tivessem sempre visibilidade para o exterior.O morador, empreiteiro de profissão, diz que a Refer só não altera o muro porque não quer. “Com as máquinas que hoje existem em duas horas deitava parte do muro abaixo e respeitava a vontade da população. Porque isto afinal é para nós”.O MIRANTE contactou a Refer mas até à data de fecho desta edição não obteve resposta ao seu pedido de esclarecimentos.Margarida Cabeleira
Uma barreira de betão sob a Linha do Norte

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