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Inefável Manuel Serra d’Aire

Inefável Manuel Serra d’Aire

Edição de 03.05.2006 | E-mails do outro mundo
Foi aprovada pelo Parlamento a Lei da Paridade e as mulheres vão deixar de ter sossego. Até agora, o pior que lhes podia acontecer era terem de alombar com as tarefas domésticas enquanto os maridos coçavam a micose no sofá borrifando-se de cerveja enquanto assistiam a mais uma maratona de futebol.Mas a prova de que a triste condição feminina ainda não tinha batido no fundo aí está: a partir de agora, qualquer mulher que se atreva a pôr um pé na rua está sujeita a acabar mal. Ou, pior ainda, a ir parar a uma lista para a câmara, para a junta ou (lagarto! lagarto! lagarto!) mesmo para a Assembleia da República.Que as nossas ruas estão cada vez mais inseguras já se sabia. Mas que uma simpática senhora já não possa circular livremente sem ser assediada por um bando de arruaceiros do partido X ou Y é demasiado. Já lhes basta os piropos dos trolhas, os apalpões mais ou menos discretos nos transportes públicos, os ladrões de esticão, os salões automóveis onde têm de se espojar em cima das máquinas…Depois há outra questão que me deixa intrigado. Será que este delírio paritário dos socialistas fica por aqui, ou vai mais longe? Porque há mulheres e mulheres. Uma coisa é termos uma Assembleia da República compostinha de teenagers inconscientes, trintonas arrebitadas ou quarentonas espampanantes. Outra é ter aquele tugúrio repleto de Helenas Rosetas e Odetes Santos. Se é para ficar tudo na mesma mais vale estar quieto…Se querem paridade, tem de se ir ao fundo da questão. Em cada lista deve haver pelo menos uma madura loura platinada que vai ao solário e ao ginásio todas as semanas e uma daquelas meninas que fazem anunciar os seus serviços no Correio da Manhã tipo: “boca gulosa, bumbum ardente, serviço completo”. Mais: todas as candidatas às listas deviam ser obrigadas a enviar foto de corpo inteiro para os directórios partidários analisarem as suas capacidades políticas. E deviam sujeitar-se a uma entrevista para avaliar os seus dons oratórios. Só assim se pode separar o trigo do joio. E tem de se fazer alguma coisa para esse equilíbrio, porque a gente cinzentona já tem lugar garantido há muito.Aliás, as coisas não deviam ficar pelos sexos. Se há quotas para as mulheres porque é que outras franjas da sociedade não têm também direito a verem-se representadas nos nossos órgãos políticos? Arranjem-se também quotas para fumadores de Mata-Ratos, para os espectadores do Canal 2, para os jogadores de bridge, leitores do Crime e outras minorias ostracizadas que vivem em autênticos guetos neste país.E por falar em minorias ostracizadas, deixa-me dizer-te para terminar que aquela inspecção aos restaurantes chineses foi um jogo do gato e do rato muito sujo. Os abnegados inspectores que arriscaram a vida em prol da nossa saúde gástrica mereciam uma estátua. Conseguiram fazer mais pelo proteccionismo da nossa restauração e na luta contra a invasão económica dos chinocas que o nosso próprio comércio. Foi de mestre Serra d’Aire. Apanharam-se uns quantos prevaricadores e, como é hábito no nosso país, comeu tudo o que é chinês por tabela. Enquanto isso os corajosos inspectores devem ter comemorado numa das típicas tascas portuguesas onde as pataniscas são fritas no mesmo óleo há meses, onde o vinho é uma zurrapa óptima para decapante, as casas de banho (quando não estão avariadas) dão vómitos e as vitrines dos petiscos estão cheios de pequenos seres pretos com duas asinhas que vão pousando aqui e ali. Brindemos a isso, pois!Saudações proletárias do Serafim das Neves
Inefável Manuel Serra d’Aire

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