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A Nova Aljubarrota

Ou os investidores espanhóis correspondem a uma organização benemérita (quem sabe se revelando ainda problemas de consciência pela ocupação de Olivença), ou os responsáveis escalabitanos que negociaram as anteriores condições de adesão à Águas do Ribatejo, foram de uma incompetência que não tem paralelo desde que os indígenas ameríndios venderam a Ilha de Manhattan por meia dúzia de missangas!

Edição de 03.05.2006 | Opinião
A turbulência agitou a última reunião da CULT, em que se discutiram as alegadas contrapartidas acordadas entre a Câmara Municipal de Santarém e a Empresa Águas do Ribatejo. Como consequência, o presidente do executivo scalabitano, Moita Flores, cortou relações com o presidente-executivo da CULT (um ignoto personagem que dá pelo nome de António Torres) após este o ter criticado pela renegociação do acordo de adesão que, a ser verdade o que veio a lume, corresponde (vejam só) a um acréscimo de qualquer coisa como seis ou sete milhões de contos!De facto, para as simples criaturas de Deus que somos, alheias aos valores mais altos que nestas coisas se costumam levantar, esta diatribe do “boy de serviço” não encontra explicação plausível, a não ser, é claro, no contexto de uma qualquer hipotética teia de interesses ocultos.Vejamos: se um dos municípios que formam a CULT conseguiu melhorar substancialmente as condições negociais (sem prejuízo, que se saiba, do acordado com os restantes), das duas, uma:Ou este município, tendo em conta a sua dimensão negocial, estava claramente prejudicado no negócio e, tendo consciência disso, o novo presidente endureceu a posição negocial e, qual “Condestável da Atamarma”, arremeteu contra o consórcio espanhol e obrigou-o a reconhecer a justeza da sua pretensão. E, neste caso, pode dizer-se que deveria estar o caso arrumado!Ou, então, todos os intervenientes foram de alguma maneira iludidos nas negociações e, tal situação, deveria constituir um exemplo a seguir (um precedente, digamos assim) a ser oportunamente aproveitado por todos ou por alguns dos restantes.E então, das duas, uma; ou avultam aqui interesses ignotos e inconfessados, o que (atendendo ao povo que somos, no país que temos), não é infelizmente de pasmar e, então mais uma vez se pode dizer que está o caso arrumado: leia-se explicado.Ou os autarcas dos outros concelhos acham que assim se evidenciou o mau negócio que fizeram e do qual, naturalmente, só têm que culpar-se a si próprios! E já agora deixem-me dizer-lhes que a dimensão das ditas contrapartidas aponta igualmente para apenas uma de duas ilações: ou os investidores espanhóis correspondem a uma organização benemérita (quem sabe se revelando ainda problemas de consciência pela ocupação de Olivença) e neste caso está o caso (explicado e) arrumado, ou os responsáveis escalabitanos que negociaram as anteriores condições de adesão foram de uma incompetência que não tem paralelo desde que os indígenas ameríndios venderam a Ilha de Manhattan por meia dúzia de missangas! Incompetência que, pelos vistos, permitiu vender ao desbarato um dos nossos bens mais preciosos: a água.A não ser que existam razões privadas, que a razão pública desconhece!E a que apenas a intromissão inesperada, e imprevista, de um corpo estranho à concomitância processual (chamemos-lhe assim), terá vindo a subverter!Estranho, por ser o único presidente emergente das anteriores eleições. Estranho por não estar estruturalmente ligado aos partidos que são “donos” da CULT. Estranho por ter deparado com um negócio acordado, mas não concretizado, do qual não tinha participado.Isto ter-lhe–á fornecido a oportunidade e a motivação para bater o pé a uma negociação que, tudo leva a crer, constitui para os espanhóis um negócio da China!E, deste modo, consciente ou inconscientemente, pôr em causa aquilo que se adivinha constituir toda uma arquitectura de artificiosos interesses e conveniências, que tanto tinha custado a erguer!E eu que tanto tenho criticado os responsáveis municipais escalabitanos (inclusive este) não posso (embora me custe, é claro) deixar de me solidarizar com a importância desta atitude!Seja qual for, adiante-se, o resultado final da mesma!Importância económica, se o negócio se concretizar!Importante oportunidade de reconverter o mesmo, se não se concretizar!E, especialmente, importância da mensagem clara que daí resulta: de que Santarém reivindica hoje, finalmente, uma liderança regional de que tem andado arredia!Regional e não só!Os espanhóis que se cuidem!

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