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Santarém eleva fasquia das contrapartidas

Concurso para selecção do parceiro privado da Águas do Ribatejo deve ser anulado

O processo Águas do Ribatejo continua a agitar o meio político. Moita Flores pede mais contrapartidas para Santarém com os olhos postos na repetição do concurso para selecção do parceiro privado.

Edição de 03.05.2006 | Política
O presidente da Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores (PSD), anunciou na última reunião do executivo que vai elevar de 15 milhões para 20 de milhões de euros o montante das contrapartidas exigidas ao parceiro privado que vier a integrar a empresa Águas do Ribatejo.Essa foi a resposta dada pelo autarca após ter sido mais uma vez confrontado sobre o dossier Águas do Ribatejo pelo vereador socialista Rui Barreiro. Que se socorreu da entrevista de O MIRANTE a Moita Flores, publicada na última edição, para dizer que mais uma vez tinha ficado com a sensação que o presidente do município “quer mandar o concurso abaixo”. Isto por Moita Flores falar novamente em “alegadas negociações à margem do concurso”.Moita Flores acabou por reconhecer que “depois de tudo o que pantominaram à volta disto, este concurso ficou sem futuro”. E fixou novas contrapartidas para o seu município já a pensar em novo concurso: “Venha quem vier serão quatro milhões de contos (cerca de 20 milhões de euros). E não nos zanguem mais, senão passa para cinco milhões de contos (cerca de 25 milhões de euros)”.Recorde-se que o concurso público internacional para selecção do parceiro privado Águas do Ribatejo, aberto pela Comunidade Urbana da Lezíria do Tejo (CULT), encontra-se suspenso desde que Moita Flores revelou ter negociado, isoladamente, contrapartidas para o seu município com o consórcio dado como vencedor. No pacote de contrapartidas, avaliadas em 15 milhões de euros, integrava-se a construção de um edifício municipal e de um parque de estacionamento subterrâneo no antigo campo da feira e o apoio financeiro, durante os próximos quatro anos, ao Festival do Alviela.Quem não gostou de saber da notícia foram os restantes presidentes de câmara, que se consideraram marginalizados e aventaram a hipótese de anulação do concurso. Moita Flores respondeu à letra e denunciou em entrevista a O MIRANTE alegadas negociações entre a CULT e o consórcio vencedor quando o concurso ainda estava a decorrer. Situação que classificou de “manipulação grave, cível e criminalmente”.Destilando ironia e alguma exaltação, Moita Flores disse ainda na reunião do executivo de 26 de Abril que não abdica da exigência de contrapartidas adicionais para Santarém no âmbito da criação da empresa intermunicipal que vai gerir as redes de águas e saneamento em nove concelhos da Lezíria do Tejo. E atacou quem andou a insinuar que ele quis passar a perna” aos outros presidentes de câmara. “Tudo o que estava acordado com a CULT foi assinado e cumprido”.Moita Flores voltou a ser confrontado com a questão na sessão da assembleia municipal de quinta-feira, 27 de Abril onde o socialista Pedro Braz o acusou de se estar a constituir no “coveiro das Águas do Ribatejo”.Uma acusação que Moita Flores rebateu, adiantando que horas antes havia reunido com a direcção da CULT para debater o assunto. Um encontro de onde saiu a garantia de que o projecto vai avançar, possivelmente com a realização de um novo concurso para selecção do parceiro privado que vai integrar a empresa.João Calhaz

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