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A cura para todos os males

Feira esotérica levou centenas de curiosos à Azambuja

Amuletos, cartomância, conselhos de bruxas e de deusas atraíram centenas à feira esotérica de Azambuja. Sô Filipe de Obaluaiê promete voltar para o ano.

Edição de 03.05.2006 | Sociedade
O rufar dos tambores dos índios antigos do México ecoa no Páteo do Valverde, em Azambuja. Rosa Peralta, a vendedora mexicana instalada logo à entrada da feira esotérica, faz soar uma roca de sementes de frutos ayoyotes para harmonização pessoal. “A vida espiritual existe?”, pergunta um cliente debruçado sobre o balcão coberto de pedras, talismãs e pêndulos. O vendedor espanhol escondido por entre os cristais que prometem harmonia responde que sim.Jorge Durão, 45 anos, veio do Cartaxo à Azambuja atraído pelo ambiente esotérico. Nem o sol escaldante de domingo o impediu de pisar o solo místico da feira uma segunda vez na mesma semana.O administrativo passeia-se entre as barracas de amuletos e de videntes que prometem dar dicas sobre o futuro. Limita-se a pedir a carta astral. “O documento é extenso, mas quase tudo bate certo”, garante.Numa mão leva o prenúncio do futuro, o conhecimento das casas astrais. Na outra uma pedra negra, a turmalina preta. Procura o enraizamento da cura, o bem-estar físico e mental. Também foi por isso que se inscreveu no curso de naturopatia que está a concluir em Lisboa.Na feira inspirada no certame de Oeiras, também organizado por Sô Filipe de Obaluaiê, tudo é motivo para terapia. Os aromas, os cristais e até as pedras. Do olho de leopardo e de gato, passando pelo cristal de rocha e pedra da lua. Difícil é escolher que pedra para que tipo de efeito.Cátia Mareco, 19 anos, secretária, residente em Alenquer, decide-se pela azul contra a inveja e mau-olhado. Na loja Guarujá Esotérico há curas para todo o tipo de enfermos. Plantas medicinais, ervas de banho energéticas, quebra-feitiços, olho grande, mandingas e desmancha tudo vendem-se em saquetas individuais. Tal como o já conhecido sal grosso. “Os mouros não iam para as batalhas sem jogar sal sobre os ombros”, evoca o comerciante da lojinha brasileira, José Lopes da Silva, conhecedor da área há 18 anos.Os livros são outras formas de tomar contacto com o esoterismo. Prometem-se magias e rituais de amor, conselhos de bruxas e de deusas e simpatias para todos os dias.Uma mulher abeira-se da barraquinha que anuncia novidades afrodisíacas. Retira o Santo Expedito da carteira. É lá que o guia da sorte anda sempre. Pergunta se pode levar uma imagem. “Até lhe oferecia a imagem, mas se não comprar não terá a mesma sorte. Estão tratadas”, garante a vendedora.A mulher pega num colar de sementes do Brasil e sente que é aquele talismã que quer levar para casa. Nunca traz nenhuma ideia formada. “Só compro por intuição”, garante a mulher de cabelos longos, pretos, e qualquer coisa profunda de esotérico. Ana Santiago

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