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Uma aula de história ao ar livre

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Alunos e professores do Entroncamento recriaram mercado do início do século XX

Alunos e professores, vestidos a rigor, estiveram por detrás das pequenas bancas de madeira velha a regatear o melhor preço com os fregueses.

Edição de 03.05.2006 | Sociedade
Parada no centro do Largo José Duarte Coelho, frente à Câmara Municipal do Entroncamento, Joana Carreta, 69 anos, carrega num dos braços, uma cesta de verga com meia dúzia de laranjas. Com os olhos a brilhar, observa tudo o que se passa à sua volta. São três e meia da tarde de sexta-feira, 29 de Abril. Naquele largo, que habitualmente serve de parque de estacionamento, foi recriado um mercado do início do século XX. A iniciativa, inserida nas actividades da Semana Cultural do Agrupamento de Escolas e Jardins de Infância Alpha do Entroncamento, fez as delícias de quem por ali passou. E foram muitos aqueles que se deixaram envolver pelo ambiente e conseguiram voltar atrás no tempo. “Eu estou encantada com isto. Ainda me lembro do mercado ser assim. Íamos sempre às mesmas bancas e sabíamos bem o que é que comprávamos. Agora é tudo mais caro e não se pode confiar em ninguém. Ir ao mercado semanal do Entroncamento é um stress”, diz Joana Carreta.Ali o ambiente é de festa. No palco, as Cantadeiras de Riachos entoam cantares populares, que se confundem com as vozes dos vendedores que apregoam os seus produtos. São alunos e professores, vestidos a rigor, com trajes de época, que por detrás das pequenas bancas de madeira velha, discutem o melhor preço com os fregueses. Em escudos, porque na altura os euros ainda não existiam. Afinal os tempos eram outros.“Naquela época era tudo muito diferente. Em vez de se venderem bonecos como os Action Man, vendiam-se bonecos de trapos. Não havia nada em plástico”, explica Francisco Narciso, de 11 anos, enquanto tenta vender mais uma taça de barro, “daquelas em que se come o caldo verde”. Do outro lado do largo, vendem-se chás, cheiros, frutas e hortaliças. E há ainda quem tente fazer negócio com coelhos. “Isto está a ser muito divertido e o mercado está a render. O que não tem muita piada é estarmos aqui ao sol com estas roupas tão quentes, e assim um bocadinho a dar para o piroso”, confessa Ivo Valente.Mesmo assim, garante que vale a pena o esforço, nem que seja só pelo facto de não ter aulas e de ver os professores ligeiramente mais bem dispostos: “Estão muito mais meiguinhos e simpáticos. Nem se compara”, diz Ivo Valente, ao mesmo tempo que olha de soslaio para o professor de Matemática.Entretanto, os cuspidores de fogo começam a juntar-se no meio do largo. Os jogos tradicionais continuam e a animação mantém-se. Desta vez, a aula de História foi dada ao ar livre e, segundo os professores, os alunos passaram com distinção.Carla Paixão
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