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Uma capela para sete pessoas

Inauguração do templo de Ventoso é no próximo fim-de-semana

Em Ventoso habitam apenas sete pessoas e missa só há em dias de festa. Mas isso não impediu que a população da zona se juntasse para construir uma nova capela.

Edição de 03.05.2006 | Sociedade
As chaves estão à disposição de quem a quiser visitar. Basta ir buscá-las ao café de Benfica, aldeia mais próxima do local onde foi construída a nova capela, que é orgulho de toda a comunidade de Ventoso. Que se resume a sete almas que estão habituadas a que ali só haja missa em dias de festa.“Isto é arquitectura do padre Mário”, diz o presidente da Junta de Alviobeira quando se entra na nova capela de Ventoso, referindo-se ao pároco da freguesia. João, com uma lata de tinta na mão, aparece do lado de trás do altar e responde prontamente – “Não, não, isto é obra de todos nós”.A frase, dita por quem mora a dezenas de quilómetros do lugar, reflecte o modo de estar de largas centenas de pessoas que, não vivendo em Ventoso, adoptaram a terra como sua.Apesar de ser um lugar quase deserto (ver texto nesta edição) Ventoso sempre teve capela, ao contrário das aldeias vizinhas. E de cada vez que havia ali missa o pequeno local de culto enchia-se com as gentes de Portela de Nexebra e de Benfica.As mesmas que “forçaram” a sua recuperação quando a degradação foi tomando conta do espaço. E que puseram mãos à obra quando, no início da reconstrução, as paredes não aguentaram e ruíram. Teve de se mandar o resto a baixo, construindo-se uma de raiz. Foi há um ano e no próximo fim de semana a nova capela de Ventoso vai ser inaugurada com pompa e circunstância, numa festa onde se esperam mais de mil pessoas.Um pequeno telheiro forrado a madeira leva-nos à porta de entrada do templo. No chão, o símbolo da ordem dos Templários, feito em mármore, reporta-nos para a história do concelho.Um corredor com losangos de mármore creme e castanhos leva-nos até ao altar de madeira maciça escura, onde o cálice de Deus e a hóstia sagrada foram pintados. Na parede do fundo, pintada de azul celeste, está a imagem de Cristo crucificado. Em tamanho real.Nossa Senhora de Fátima e Santa Luzia, venerada pelos habitantes da região, ladeiam o altar mor, colocadas em cima de pequenos altares pintados a azul, com talha dourada. Os bancos ainda não foram colocados porque falta dar a última demão de tinta branca nas paredes, revestidas até um metro de altura a madeira de cerejeira. A mesma madeira que enfeita o tecto em jeito de abóbada.Manuel Tomás Rodrigues, de Portela de Nexebra, e João Nunes Ferreira, de Benfica, assomam à porta da capela. Para ver como vão as pinturas. O primeiro faz parte da comissão de festas, o segundo comprou as telhas e o ferro necessário para obra. Houve também quem desse os candeeiros ou uma ajuda com a mão-de-obra.Carlos Duarte, tesoureiro da junta e empreiteiro, é o responsável pela edificação da capela. Ainda não fez as contas aos custos mas põe a fasquia acima dos 35 mil euros. “E isto porque há aqui muita coisa não contabilizada, dada pelas pessoas”.Mesmo que a porta da capela esteja sempre fechada – só se abre no segundo domingo de cada mês, para a oração, e em dias de festa, quando a missa é celebrada – abrir-se-á sempre que alguém a queira visitar. Se não encontrar o tesoureiro da junta ou Manuel Tomás, ambos com chave, sempre a poderá solicitar ao balcão do café de Manuel António Ferreira (na aldeia vizinha Benfica) onde estará sempre guardada uma terceira chave. Porque, em Ventoso, a capela é do povo.Margarida Cabeleira

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