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Sem idade para aprender

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Clube das Letras ensina idosas de Vila Franca de Xira

A escola chegou depois dos 70 anos, mas nunca é tarde para aprender. O Clube das Letras de Vila Franca de Xira ensina idosas a ler, escrever e a viver o Outono da vida.

Edição de 10.05.2006 | Cultura e Lazer
As mãos calejadas pelos mais de 70 anos de trabalho árduo aprenderam agora a manusear um novo instrumento, a caneta. Aos 80 anos, Isabel Conceição está a aprender a ler e a escrever e é com orgulho que diz “agora já sei escrever o meu nome”.A octogenária é uma das 14 idosas inscritas no Clube das Letras, promovido pelo Secretariado da Paróquia de Vila Franca de Xira. O objectivo é ensinar a escrever e a ler quem nunca teve oportunidade de o fazer pelas circunstâncias da vida. É o caso de Isabel que tinha já 12 anos quando a mãe teve possibilidades económicas para a mandar para a escola. Obrigada a inscrever-se na segunda classe, acabou por desistir, porque nunca conseguiu acompanhar o ritmo dos outros alunos. Isabel Conceição não quis perder esta oportunidade e é com “muito gosto” que está presente em todos as aulas. A idade não é impedimento para aprender, como sempre desejou, embora “já não permita fixar tudo”.Uma dificuldade partilhada por Fernanda Santos, de 73 anos. “Não sou de fixar as coisas, esqueço-me muito”, diz. Fernanda nunca chegou a concluir a primeira classe. Abandonou a escola para ir cuidar dos três irmãos enquanto a mãe trabalhava. Uma vida de trabalho que ficou lá atrás e que só agora lhe ofereceu as condições para aprender. Numa letra que procura que seja “muito bem feita”, Fernanda escreve as cinco palavras que compõem o seu nome que depois exibe orgulhosamente à professora. Ensinar a escrever o nome foi a primeira meta definida pelas professoras do Clube. Hoje, dois meses depois do início das aulas, as 14 aplicadas alunas já sabem assinar o seu próprio nome, embora algumas ainda revelem dificuldades.“É mais fácil esfregar a casa!”, desabafa Adelaide, de 82 anos, enquanto se esforça para escrever correctamente o nome. Para além da assinatura, Adelaide também já aprendeu as vogais e na próxima aula vai iniciar-se nas consoantes. Para quem nunca se sentou num banco da escola, como Maria Guerra Vicente, “aprender as letras é um bicho de sete-cabeças”. O espírito reinadio da septuagenária permanece vivo, mesmo depois de uma vida de dificuldades e desilusões. Foi esse espírito que aos 73 anos de idade lhe deu força para fazer aquilo que sempre sonhou, mas que nunca pode realizar. Depois da monda e da pesca, a avieira dedica-se agora a aprender a ler e a escrever. A Maria é uma das alunas mais empenhadas, quer nas aulas, quer em casa, onde faz sempre todos os trabalhos de casa com “muita alegria”. Sara Cardoso
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