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Vir de Londres para assistir à largada de toiros

Vir de Londres para assistir à largada de toiros

Carlos Póvoa, aficionado vilafranquense, tem uma tertúlia em Inglaterra

O gosto pela festa brava fez com que Carlos Póvoa viajasse de Londres de propósito para assistir à maior largada de toiros do mundo em Samora Correia. O aficionado vilafranquense tem uma tertúlia em Inglaterra e ambiciona levar a festa brava a terras de Sua Majestade.

Edição de 10.05.2006 | Cultura e Lazer
A aficion corre-lhe nas veias e, por mais palavras que procure, Carlos Póvoa não consegue explicar porque viajou de Londres de propósito para assistir à maior largada de toiros do mundo em Samora Correia, no dia 30 de Abril.“Era uma coisa inédita e como gosto muito de esperas quis estar aqui”, explica Carlos Póvoa, 47 anos, natural de Vila Franca de Xira e radicado há 34 anos às portas da capital inglesa.Carlos nasceu numa família de taurinos. Foi o tio Manuel Póvoa, conhecido como “maneta pintor” que o levou para as esperas de toiros. Aprendeu a gostar e nunca mais se afastou da festa brava. Hoje, a idade e o corpo pesado já não lhe permitem aventurar-se. Num local seguro observa os mais novos. “Este é um bom esperista. Só um artista faz isto com um toiro como este”, explica apontado para um toiro de mais de 500 quilos e em pontas na largada de domingo, em Samora Correia. “Que bonito toiro”, frisa.Carlos Póvoa nasceu em Vila Franca quando a vila era a Sevilha Portuguesa. As primeiras brincadeiras foram feitas com os rapazes a correrem atrás dos amigos com cornos feitos de madeira e, por vezes, genuínos.Carlos foi colega de escola do matador Vítor Mendes com quem andou também na banda do Ateneu e entre os seus amigos tem vários toureiros, forcados e outros agentes da festa com quem cultivou a aficion.Orgulha-se de ter inaugurado, em 1996, a primeira tertúlia de Londres, numa festa onde estiveram o mestre José Júlio, o cavaleiro José Zuquete, o crítico João Mascarenhas e até o vice-cônsul de Portugal em Londres, José Amador, entre outros.Uma cabeça de um toiro de João Moura lidado pelo cavaleiro em Santarém prende o olhar de qualquer visitante. As paredes estão cheias de memórias da festa dos toiros em Portugal. Não faltam os esperistas de Vila Franca.Carlos Póvoa emociona-se quando recorda o tio que foi “o mestre dos esperistas”. Confessa o desejo de o homenagear com a decoração da montra da ourivesaria Samuel, junto à igreja, no próximo Colete Encarnado.Horas antes de regressar a Londres, Carlos Póvoa deixa ficar a mágoa de ver Vila Franca perder peso taurino. “Esta cidade tem de fazer alguma coisa para voltar a ser a Sevilha portuguesa”. Na despedida, o aficionado deixa um sonho: “Gostava de realizar uma espera de toiros em Londres”. No dia 24, Carlos Póvoa regressa a Portugal para ver o seu amigo Vítor Mendes tourear no Campo Pequeno em Lisboa. Depois, a próxima visita será no Colete Encarnado onde é presença habitual todos os anos. “Espero todo o ano pelo Colete Encarnado e pela Feira de Outubro”, conclui.Nelson Silva Lopes
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