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Viver para os toiros

Viver para os toiros

João Manuel Oliveira não perde uma largada

Manuel Oliveira é um dos espontâneos que arrisca a vida nas largadas de toiros. Na maratona de 25 horas em Samora Correia só parou para comer e para ir à casa de banho. Sonhou ser matador de toiros e alimenta a paixão sem medo de morrer.

Edição de 10.05.2006 | Cultura e Lazer
“Olé Manel”, grita um homem dentro de um burladero no largo do Calvário em Samora Correia. João Manuel Oliveira acaba de fazer mais uma “faena” diante um toiro com 500 quilos, com os cornos bem afiados e sem qualquer protecção. Com a capa pessoal, com qualquer pano ou com um simples chapéu de chuva, Manuel desafia o toiro com arte e sem medo.O “toureiro” nunca vestiu traje de luces nem cortou orelhas ou rabos. Manuel é um dos muitos animadores que arriscam a vida nas esperas e largadas da região.“Esta emoção de estar frente a um toiro é única. Só quem a sente sabe explicar. Sei que venho, mas nunca sei se volto a casa ”, explica o homem de corpo franzino e ar humilde a O Mirante.João Manuel Oliveira, 37 anos, natural de Alhandra, ganha a vida como pintor, mas se pudesse teria sido matador de toiros. “Era o meu sonho, mas nunca tive possibilidades para isso”, lamenta.O gosto pelos toiros herdou do pai e aos 14 anos começou a tourear bezerros. Praticou atletismo de competição. A velocidade e a agilidade são importantes para fazer os câmbios que evitam as colhidas. “Isto aprende-se com os anos. Primeiro estudo o toiro e depois tento enganá-lo da melhor forma. É preciso ter cuidado quando o toiro se fecha em tábuas”, explica. Nem sempre corre bem e Manuel já conheceu o sabor amargo das colhidas. “Fui empurrado, descuidei-me e fui furado. Mas não foi nada de especial”, adianta.No dia 30 de Abril, Manuel viu um homem ser colhido mortalmente em Samora Correia, mas não desanimou e continuou nas 25 horas de largadas até ao fim. “O toiro matou um homem, mas a gente não se pode acobardar ao animal. Ganhei ainda mais força e mais vontade de o desafiar. Nunca penso na morte”, refere.No domingo, Manuel foi distinguido pela organização da maior largada de toiros do mundo por ter sido o toureiro espontâneo que mais animou a festa. “Durante as 25 horas só parei quatro vezes para comer sandes e ir à casa de banho”, afirma orgulhoso, depois de receber uma t-shirt alusiva ao evento.Enquanto decorre a conversa, Manuel nunca tira os olhos do animal. Mal a entrevista acaba regressa à arena improvisada para mais uns passes. Confessa que gosta de brincar em todas as festas, mas prefere aquelas onde há mais espaço e mais público.O gosto pelas largadas de toiros é tão grande que no dia 1 de Maio Manuel não vestiu a jaqueta dos Forcados Amadores de Loures para ir pegar a Espanha e preferiu ficar em Samora Correia e integrar o lote de milhares de aficionados que participaram na maior largada de toiros do mundo. “Foi uma iniciativa sensacional e eu sinto que ajudei a bater este recorde”, conclui.Nelson Silva Lopes
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