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Imaginativo Serafim das Neves

Edição de 10.05.2006 | E-mails do outro mundo
Tens toda a razão. Essa coisa de meter mulheres a martelo na política não é de homem, não senhor. Só mesmo umas cabecinhas de alho chocho como as de alguns dos nossos políticos se lembravam duma destas. Se eles queriam a Assembleia da República mais enfeitada porque não optaram por jarras de flores? Mas não faz mal. Agora bramam pela participação do mulherio mas daqui a pouco já miam. Assim que as mulheres começarem a fazer o que fazem todas as mulheres vais vê-los aos saltos a lamentar a asneira. Mas aí não há nada a fazer. Torcem a orelha e não deita sangue. Ainda os hei-de ver a ir despejar o lixo a meio das sessões parlamentares e a pendurar os casacos como deve ser nas costas das cadeiras. E quem será o Presidente da Assembleia capaz de calar uma deputada mulher quando acabar o tempo destinado à sua intervenção? Se já com os deputados homens é o que é…Eu gosto deste país por causa destas singularidades. Somos cinzentos e tristonhos mas tudo o que fazemos tem graça. Para mim então tem uma piada fantástica. Quantas vezes me aconteceu ter que abandonar reuniões de câmara e Assembleias Municipais por não conseguir conter mais o riso. Quantas vezes fiquei com falta de ar a meio de algumas conversas com políticos por tentar reter as gargalhadas que aquelas conversas provocam.É hilariante a forma como a maioria da rapaziada se leva a sério. E aquela verborreia toda a que o meu vizinho João chama caganeira mental?! Ele é servente nas obras mas é um filósofo. Vê lá tu que até baptizou o martelo pneumático que usa nas obras, de senhor deputado. O barulho da máquina faz-lhe lembrar alguns discursos parlamentares. Eu e ele somos fanáticos do Canal Parlamento. A seguir à Sportv e ao outro canal das gajas boazudas é o nosso canal preferido. Rimo-nos que nem doidos com aquilo. Ele diz que é mais engraçado que o Gato Fedorento. Que na a Assembleia há mais Lopes da Silva que noutro qualquer canto do mundo. O problema é que agora, com as mulheres que querem obrigar a ir para lá, aquele oásis de diversão nacional que é a Assembleia, pode ser abalado. Descaracterizado, para usar uma expressão adequada ao nosso politiquês. Tu sabes tão bem como eu que uma mulher obrigada a fazer qualquer coisa, uma mulher contrariada, é pior que sei lá o quê…Também me tenho divertido muito com aquilo das Águas do Ribatejo. Nós nem merecemos o país que temos. Não exploramos estas coisas muito nossas. Estas pérolas antropológicas. Estes manuais do bom viver. Por exemplo, essa coisa das contrapartidas. A minha avó diz que é tudo um negócio de ciganos. Coitada, ela ainda é do tempo em que não havia comissariado para as minorias étnicas. Não sabe que está a pisar o risco com expressões daquelas. Eu não vou tão longe. Não falo em negócio de ciganos porque já sou do tempo dos comissários e do politicamente correcto. Nem falo sequer em negócios da banha de cobra. Fico-me pelos vendedores de cobertores das feiras. Aqueles que abrem os taipais da camioneta, embrulham um lenço à volta do microgaitas e vão aumentando a rima de coisas que qualquer cliente pode levar para casa por apenas uma nota de cinquenta. “E quem levar este cobertor leva ainda este magnífico jogo de toalhas. E esta panela de inox importada directamente da Tailândia. E mais esta magnífica escova para o cabelo. E dez pares de peúgas de homem. E duas gravatas de pura seda…pela minha rica saúde. Eu hoje estou um mãos largas. Vou à falência mas não me importo. Ao menos vejo uma família feliz. Quem tem aí uma nota de cinquenta??!!”.Estou a imaginar a coisa lá nas Águas do Ribatejo. Vê lá se consegues…não é difícil. Ficcionar sabe bem. Faz bem ao colesterol. À azia. O Moita Flores sabe do que estou a falar. E sabe de contrapartidas. O Torres da Comunidade Urbana da Lezíria também. Os espanhóis da tal empresa e os outros não lhes ficam atrás. Tudo nas contrapartidas. Ali na boa. O homem do megafone com um lenço embrulhado no bocal. Um som roufenho quê bê.”Quem dá mais??Quem dá mais??? Uma sede para a Comunidade, um festival, uns paços do concelho. Olhem só para esta rima!! E tudo pelo preço base. Vamos lá meus senhores!! Cheguem-se à frente por favor. Mas não se atropelem. Chega para todos. Chega para todos!!!”Eu só não percebo uma coisa, porque é que andam todos tão zangados? Isto sempre foi assim. Lembra-te lá de algum concurso, algum investimento, alguma obra pública sem contrapartidas?! Eu até acho que o significado desta palavra já deveria ter sido actualizado nas últimas edições dos dicionários. E tu?Um abraço sem contrapartidas doManuel Serra d’Aire

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