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Gripe das aves constipa negócio

Gripe das aves constipa negócio

Quebra nas vendas atinge 70 por cento

A gripe das aves estragou o negócio aos produtores, talhos e restaurantes. Os consumidores acusaram o alarmismo lançado e as quebras nas vendas chegaram aos 70 por cento.

Edição de 10.05.2006 | Economia
As churrasqueiras e os restaurantes de Vila Franca de Xira são unânimes: o receio de contaminação da gripe das aves tem afastado os clientes do consumo de aves. Uns falam em 50 por cento de quebra, outros em mais de 70. Todos acusam a comunicação social de alarmismo. “Agora estamos a melhorar, mas chegámos a estar a 50 por cento, quando a comunicação social fazia da gripe das aves o prato número um”, diz Júlio Santos, responsável por uma churrasqueira no centro de Vila Franca. Júlio Santos diz que “o alarido” fez as pessoas ficarem preocupadas e deixarem de comprar frangos. Agora que o tema já não tem o mesmo mediatismo as pessoas estão a recuperar a confiança e já voltaram a consumir. Mas ainda há quem prefira não voltar a comer aves tão cedo. Márcia Rodrigues deixou de consumir aves aquando das primeiras notícias e diz que só volta a comer quando estiver segura que o virús H5N1 não se transmite por ingestão. É que, refere, “vale mais prevenir do que remediar”. Devido à falta de procura o restaurante pelo qual Paulo Amaral é um dos responsáveis optou por não servir. “Uma vez por outra temos um prato de frango, mas não vale a pena, o consumo caiu radicalmente, talvez mais de 70 por cento”, diz.Não sendo especializado na confecção de frangos, os prejuízos não foram significativos, mas em termos de oferta, refere, “ficamos mais limitados”. Paulo Amaral culpa igualmente os meios de comunicação social pela quebra no consumo pela forma alarmante como têm tratado o assunto. Opinião também partilhada por Rui Santos, proprietário de um restaurante, que refere que “quando começaram a falar só na gripe das aves, a venda do frango veio por aí abaixo”. “Antes vendia uns 20 frangos assados ao fim-de-semana, agora às vezes nem chega aos 10”, acrescenta. Apesar da crise, manteve o valor dos pratos, porque, diz, “não é o preço que está em causa”. Sofia Marques, empregada de uma outra churrasqueira de Vila Franca, diz que, depois de uma quebra inicial, neste momento a venda está estabilizada. Paula Figueiras, outra empregada, acrescenta que a questão está sempre presente e é até motivo de brincadeira por parte dos clientes que perguntam se o frango tem gripe das aves. Também nos talhos a venda da carne de aves diminui com o receio da gripe das aves. Segundo José Luís Correia, a maior quebra do consumo tem sido na carne de peru. O talhante refere que para cativar os clientes o preço do frango baixou substancialmente, do 1,60 euros para 0,99. Rosete Ferreira é umas das consumidores que continua a comer carne de aves e, para já, descansada. “Há que ter confiança”, diz. No entanto, se for registado algum caso em Portugal de gripe das aves já vai ficar preocupada e admite deixar de comer. Também Maria João Leitão só vai deixar de consumir aves se for confirmado algum caso. Até lá diz não estar preocupada.Produtores apoiadosOs casos de aves infectadas pela gripe das aves têm-se multiplicado um pouco por todo o mundo. Na região os receios de contaminação já geraram alguns falsos alarmes. O receio de uma pandemia levou a que tenham sido tomadas várias medidas preventivas, como o registo de todas as aves, a obrigatoriedade de as confinar para não contactarem com aves migratórias e a proibição da venda de animais vivos. Como reflexo, o consumo de aves tem diminuído, apesar de o ministro da Agricultura, Jaime Silva, ter pedido aos consumidores para que continuem a comprar. Para ajudar os avicultores atingidos pela quebra do consumo a União Europeia vai financiar 50 por cento dos prejuízos. De acordo com as autoridades de saúde, não há neste momento nenhuma razão para suprimir ou reduzir o consumo de carne de aves, já que não há evidência que o vírus possa ser transmitido por ingestão. Para já, sabe-se que o contágio pode ser feito por inalação, através do contacto com as penas, excrementos e carcaças de aves mortas. Por isso, as autoridades definiram que sempre que seja encontrada uma ave morta não haja contacto e que sejam avisadas para proceder à investigação.
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