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A vendedora de sonhos

Josete Gomes ajuda a preparar um dos momentos mais importantes na vida de um casal

O dia a dia de Josete Gomes é passado entre vestidos de noiva, bouquets e convites de casamentos. A empresária de Samora Correia vende sonhos para um dia único na vida.

Edição de 10.05.2006 | Identidade Profissional
A rapariga detém-se frente à montra da loja de vestidos de noiva, na Avenida O Século, em Samora Correia. Entra acompanhada da mãe e de uma amiga e começa a folhear os catálogos. Começa ali a preparação de um dos momentos mais importantes da sua vida: o casamento.Do outro lado do balcão da “Arte e Chic” está Josete Gomes, 40 anos. A empresária não se limita a vender o vestido ou qualquer outro acessório. Gosta de aconselhar quem quer transformar o dia do casamento num momento especial. “As pessoas quando casam, de uma forma geral, casam pela primeira vez e é natural que necessitem de algum aconselhamento”, explica.O espaço nobre da loja é dedicado à rainha da festa – a noiva. Mas nem só de fatos em tons de bege e bordeau vive o espaço. Os bouquets, sapatos, colares, brincos, grinaldas e até catálogos de convites enchem o estabelecimento. Há cestinhas repletas de brindes para oferecer no casamento. Desde as escovas desdobráveis, anjos pintados à mão, até aos lápis coloridos animados com palhaços. Josete Gomes orgulha-se de vestir também a mesa de honra do casamento. Noivos, pais dos noivos e padrinhos. Os fatos de cerimónia, coletes, gravatas e sapatos também têm lugar cativo no espaço. À entrada, no interior de um pequeno armário envidraçado, pares de sapatos de senhora condizem com malas de cerimónia. “A mãe ou madrinha de uma noiva não gastará o mesmo que qualquer outra convidada. Levará um fato mais especial com tecidos mais sóbrios, provavelmente um sapato mais rico e um chapéu”, aconselha.A loja tem parcerias com agências de viagens, indica empresas que fazem decorações de igrejas e floristas e aconselha fotógrafos, quintas ou serviços de catering. “Se o casal quiser acaba por conseguir ter aqui todo o leque de serviços de que necessita”, ilustra Josete Gomes que há 16 anos se aventurou neste nicho de mercado.Na loja entram clientes de norte a sul. De Trás-os-Montes até ao Algarve. Incluindo os Açores. Josete Gomes sente essa responsabilidade nos ombros e é por isso que viaja regularmente pela Europa para ter no estabelecimento os modelos mais modernos. A empresária colocou Samora Correia no roteiro das noivas de Portugal.Os fatos de noiva da loja também já vestiram actrizes de telenovelas portuguesas, o que tem ajudado a dar nome ao estabelecimento. Mas os modelos mais económicos também se encontram na loja. Josete Gomes quis equilibrar os produtos oferecidos para chegar a uma vasta camada social. Os preços de um vestido oscilam entre os 550 euros e os 2500 euros.Josete Gomes trabalha ao lado de uma equipa de cinco pessoas na costura, arranjo e acertos. Porque nem sempre é fácil transpor um modelo de um manequim para um corpo com outros contornos. “As revistas são muito bonitas, mas é preciso ir à parte prática”, sublinha.Move-se no negócio dos serviços e produtos ligados ao casamento, mas o seu verdadeiro ramo é o da felicidade. “Considero-me uma pessoa privilegiada porque trabalho com festa, com alegria e com esperança. Nós vendemos sonhos”. A empresária é apaixonada por tudo o que está ligado à imagem. Pensa em todos os pormenores. É preciso que as cores dos fatos dos noivos estejam em sintonia. Tal como os tons dos fatos dos meninos que levam as alianças, dos convites e da decoração da quinta onde se faz a boda. O trabalho é desgastante. O dia por vezes termina às 21h30, muitas vezes não há lugar para fins-de-semana e é complicado tirar férias no Verão – época alta dos casamentos. Josete é formada em política social com especialização na área de empresas. Sem saber acabou por fazer a opção certa para o tipo de actividade que escolheu. “O meu curso é extremamente importante na actividade que tenho e no relacionamento com clientes”, diz quem já teve convites para enveredar na área da gestão de pessoal, mas escolheu a vida empresarial. O negócio é rentável, mas está muito associado ao risco.O mais enriquecedor na profissão é o contacto com os clientes. Marcam-se muitas reuniões e com o tempo estabelecem-se relações de amizade. “Já me aconteceu estar numa esplanada, seja no Algarve ou no Norte, e ver um casal aproximar-se devagarinho e perguntar: ‘A senhora lembra-se de mim?’ É extremamente gratificante”.O mais importante é que o cliente fique satisfeito. Josete Gomes sente isso quando tem o retorno. Chega com frequência à caixa de correio da empresária um e-mail de agradecimento, uma fotografia do casamento ou um postal enviado em plena lua-de-mel. Para a empresária é sinal de que o cliente ficou bem servido. Ana Santiago

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