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Cartaxo não pode ser uma cidade caixote

Cartaxo não pode ser uma cidade caixote

Deputados municipais por um dia revelaram preocupações com crescimento urbano

O caos urbanístico preocupa os jovens deputados da Assembleia Municipal do Cartaxo que temem que o município se transforme numa cidade-caixote.

Edição de 10.05.2006 | Sociedade
São dez horas da manhã de sexta-feira. Apenas três mochilas estão à porta do salão nobre dos paços do concelho, no Cartaxo. A maioria dos deputados da Assembleia Municipal Jovem decidiu seguir a rigor o exemplo dos eleitos do concelho e atrasar o início do plenário.À porta da sala os jovens deputados da Escola Secundária do Cartaxo vão aquecendo os motores entre um café e um cigarro. A degradação das casas mais antigas da cidade não passa despercebida aos olhos dos jovens do concelho.Andreia Tristão, aluna do 11º ano na área de ciências, não resiste a atirar o assunto para a ordem do dia. “O Cartaxo está a tornar-se numa cidade caixote. Olha-se para qualquer lado e só se vêem prédios que não chamam a atenção de ninguém. Será que não se poderia apostar na requalificação urbana?”, interroga.A preocupação com o caos urbanístico está também na ponta da língua de José Dias, aluno do 12º ano da área de ciências, casaco de fato escuro e pose de conferencista. “Receio que o Cartaxo se possa transformar numa nova Azambuja”.O vereador com o pelouro do urbanismo, Francisco Casimiro (PS), confessa-se impressionado com a clareza das intervenções, mas diz que não é bem assim. No Cartaxo não é possível construir prédios com mais de quatro pisos e nas freguesias o cinto é ainda mais apertado. Só estão autorizadas construções de rés-do-chão e primeiro andar.O vice-presidente da Câmara do Cartaxo, Pedro Ribeiro (PS), garante que a preocupação da autarquia é o desenvolvimento, sem prejuízo da qualidade de vida. “Não queremos que o Cartaxo se torne numa ‘fast-city’. Os políticos gostam de ver as cidades crescer depressa porque sabe bem mas, tal como a comida de plástico fast-food, traz malefícios”, ilustra o autarca.O estado da saúde dos munícipes cartaxenses também está na lista das preocupações dos jovens. “Não há um grande incentivo à prática do desporto o que motiva maior obesidade”, observa a aluna do 11º ano da área de ciências, Andreia Ferreira.Quem não é amante da prática desportiva é aficionado da festa brava ou saudoso dos tempos em que o Cartaxo era uma referência no meio. Como Andreia Tristão. “Quem quer actividade taurina tem que ir para Salvaterra ou Santarém”, sublinha.Para quem está a um mês de terminar o ensino secundário e enfrentar o mercado de trabalho o futuro é a maior preocupação. Ricardo Eusébio, finalista na área de economia, lança a pergunta ao executivo. “O que é que o Cartaxo tem para oferecer aos jovens que procuram o primeiro emprego? Teremos que ir para fora fazer a nossa vida?”O jovem lamenta que seja preciso sair da terra para procurar emprego. Tem a certeza que quem sai dificilmente regressará às origens.O empresário e vereador do PSD da Câmara do Cartaxo, Manuel Jarego, acredita que cabe também aos jovens a missão de explorar novos nichos de mercado. Para o eleito social-democrata há profissões ligadas à tradição da festa brava que se vão perdendo. É o caso do ferrador, pago a peso de ouro pelas casas agrícolas.Quer se entre ou não na universidade as dificuldades no acesso ao mercado de trabalho sucedem-se, garante Manuel Jarego. O segredo é a fórmula aconselhada por Einstein e outros génios: 10 por cento de inspiração, 90 por cento de suor.Ana Santiago
Cartaxo não pode ser uma cidade caixote

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