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Morreu sem conhecer a casa nova

Morreu sem conhecer a casa nova

Incêndio em barraca de família carenciada faz uma vítima

Um incêndio numa barraca em Foros de Benfica provocou um morto e desalojou uma família que estava à espera de habitação social.

Edição de 10.05.2006 | Sociedade
Joaquim Garcia Pereira, que morreu carbonizado na barraca onde vivia em Foros de Benfica, estava incluído juntamente com os dois irmãos e a mãe no plano de realojamento da Câmara de Almeirim. As habitações sociais que vão receber esta e outras famílias carenciadas da freguesia de Benfica do Ribatejo, devem começar a ser construídas ainda este ano. A vereadora da Acção Social da Câmara de Almeirim, Joana Vidinha (PS), confirmou a O MIRANTE que a família tinha sido registada no plano de realojamento do município há cerca de cinco anos. Altura em que a autarquia avançou com o processo com vista à construção de casas para pessoas carenciadas. O plano prevê a construção de três fogos em Foros de Benfica. “O processo não progrediu mais rapidamente porque a câmara municipal ainda não tinha conseguido obter financiamento para as obras. Já que o município não tem possibilidades de avançar por sua conta com a construção de habitações sociais”, explicou a vereadora, acrescentando que estão previstas também casas com rendas sociais para Almeirim e Fazendas de Almeirim.Embora a família vivesse com dificuldades, não era habitual pedir apoio apoios aos serviços sociais da autarquia, revelou Joana Vidinha. O município está agora a limpar o local onde se deu a tragédia, num terreno propriedade da câmara municipal, na Rua do Pinhal, em Foros de Benfica. A intenção é instalar provisoriamente um contentor com condições mínimas de habitabilidade, onde a família vai viver até estarem feitas as habitações sociais.Joana Vidinha sublinha que nunca foi feita uma casa em alvenaria no local onde estava instalada a barraca consumida pelas chamas, porque no terreno, nas traseiras do cemitério, está interdita a construção. A tragédia aconteceu no sábado por volta das 22h30. Na altura já estavam todos deitados na cama. “Senti um barulho estranho e levantei-me para ver o que se passava. Foi quando me deparei com a barraca onde dormia o Joaquim a arder. Só tive tempo de tirar a minha mota e a botija de gás”, conta Aristides Garcia, tio da vítima, que habita uma barraca contígua e que escapou ao incêndio. Quem alertou os bombeiros foi um agricultor da zona que tinha ido desligar o motor de rega num terreno adjacente. A corporação de Almeirim enviou para o local 28 elementos em 9 viaturas, que não conseguiram evitar a destruição total da barraca. O facto das madeiras estarem untadas com óleo usado, para evitar o caruncho, facilitou a propagação das chamas. Manuel Leitão conta que o incêndio deve ter começado com um cigarro mal apagado. “O Joaquim costumava fumar na cama e era habitual deixar cair as beatas para o chão (em cimento)”, lembra. Joaquim Garcia Pereira contava 36 anos, não tinha trabalho certo e costumava fazer uns biscates na construção civil. Os irmãos José, de 39 anos, e Manuel Garcia Pereira, de 41 anos, trabalham no mesmo sector. José ficou com queimaduras graves quando tentou retirar alguns bens da barraca, estando internado no Hospital de Santarém. Manuel também foi assistido no hospital, mas já teve alta médica. A mãe não sofreu qualquer ferimento e está alojada temporariamente em casa de uma família que se disponibilizou a albergá-la.António Palmeiro
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