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População na rua pelas urgências pediátricas

Manifestação e milhares de assinaturas contra a eventual centralização dos serviços em Abrantes

A população de Torres Novas já se começou a mexer contra o eventual encerramento dos serviços de urgência pediátrica no seu hospital. Embora de momento não haja certezas sobre isso.

Edição de 10.05.2006 | Sociedade
A luta pela manutenção do serviço de urgências pediátricas do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) em cada uma das suas unidades (Torres Novas, Abrantes e Tomar) reuniu cerca de duas centenas de pessoas no dia 4 de Maio, no centro de Torres Novas. Na manifestação foi apresentado um abaixo-assinado com mais de 14 mil assinaturas, que deverá ser encaminhado ao ministro da Saúde.A concentração popular, organizada pela Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo, surge na sequência dos repetidos rumores de que o serviço de urgências pediátricas do CHMT poderá vir a ser centralizado em Abrantes. Uma situação que, desde o início, mereceu os protestos da população, que defende a manutenção do serviço nos três hospitais. Luísa Carvalho chegou ao largo D. Diogo Fernandes Almeida, local da concentração, acompanhada pelos dois filhos. O Miguel, de sete anos, e a Leonor, de seis. “Uma dívida de gratidão” para com o serviço de urgências pediátricas do Hospital Rainha Santa Isabel (HRSI) de Torres Novas obrigou-a a estar presente.“Tenho dois filhos pequenos que já passaram por situações bastante complicadas em termos de saúde. E, realmente, se não fosse o pessoal daquele serviço, não sei como é que teria sido. É um excelente serviço, com excelentes profissionais. Para mim é impensável que as crianças de Torres Novas fiquem privadas desse apoio. Para além da proximidade, há também que ter em conta a qualidade do serviço, que é indiscutível”, defende Luísa Carvalho. A mesma opinião é partilhada por Margarida Cavalheiro, mãe de uma menina de quatro anos e prestes a dar à luz o segundo filho. Não entende as razões que levam a equacionar a hipótese das urgências pediátricas saírem de Torres Novas e alega a falta de resposta por parte do centro de saúde local: “A qualquer altura precisamos de ir às urgências pediátricas, porque não temos mais a quem recorrer. O centro de saúde não corresponde às nossas expectativas. A partir das oito horas da noite está fechado e muitas vezes os médicos são insuficientes”. As razões repetem-se e não deixam margem para dúvidas. A população presente na manifestação vota contra a concentração das urgências pediátricas numa das unidades do CHMT. E há até quem não se importe de pagar para ter o serviço mais próximo de casa.“A saída desse serviço do Hospital de Torres Novas vai certamente piorar as condições de vida das pessoas. Entre tentar reduzir os custos e a vida das pessoas, penso que não há dúvidas daquilo que é mais importante. Até admito que não me importava de pagar para que o serviço de urgências pediátricas permanecesse em Torres Novas”, diz Fernando Silva, pai da Inês e do Diogo, com cinco e dois anos, respectivamente. Comissão de Utentes contra razões economicistasA necessidade de restruturação do CHMT é justificada pelo conselho de administração com questões economicistas que obrigam à redução de custos. Uma justificação que, segundo Manuel José Soares, representante da Comissão de Utentes do CHMT, não legitima o encerramento de serviços “quando estes se mostram fundamentais para o bem-estar dos utentes”.No decorrer da manifestação, Manuel José Soares, aludiu à necessidade de existir um “equilíbrio na distribuição de valências entre as três unidades de saúde” e defendeu que “a urgência pediátrica é um serviço básico que se deve manter em Torres Novas, Tomar e Abrantes”. O porta voz da Comissão de Utentes do CHMT referiu ainda a necessidade de se estabelecer uma “discussão séria e transparente” acerca das questões de saúde no Médio Tejo, que envolva as principais entidades do sector, e que preste especial atenção “às dificuldades de articulação entre os diversos prestadores de cuidados de saúde”.Satisfeito com o elevado número de assinaturas recolhidas em abaixo-assinado, Manuel José Soares classificou aquele movimento como “o maior do género nos últimos vinte anos no Médio Tejo”.Carla Paixão

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