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Que nunca lhes doa a mão

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Leitores são preciosos colaboradores de O MIRANTE

Não são jornalistas mas gostam de colaborar regularmente com o nosso jornal. São cidadãos atentos, com opinião, que não encolhem os ombros perante o que está mal.

Edição de 10.05.2006 | Sociedade
São cidadãos que não se limitam a observar e encolher os ombros. Alguns leitores de O MIRANTE escrevem o que sentem, criticam o que está mal, chamam a atenção para problemas que afectam o cidadão comum. Não pretendem comparar-se a jornalistas e dizem que escrevem para a secção dedicada aos leitores pelo exercício da cidadania. É de máquina fotográfica a tiracolo que Silvino Domingos costuma passear pela cidade de Santarém. Quando repara em algo que está mal tira uma foto e envia-a para O MIRANTE. Costuma escrever sobretudo sobre os problemas do trânsito, a sinalização deficiente. Chama a atenção para locais potencialmente perigosos para os automobilistas. A preferência por esta área tem a ver com o facto de Silvino Domingos ser o representante distrital da Associação de Cidadãos Auto – Mobilizados. “É uma forma de estar ocupado. É para ajudar os outros que escrevo para o jornal”, sublinha o leitor.Carlos Pinheiro, que já foi presidente da Federação Distrital de Bombeiros e é vice-presidente dos Bombeiros da Barquinha, também tem o gosto pela escrita. Não se considera um jornalista nem tem pretensões a ser. Residente em Torres Novas, Carlos Pinheiro diz que escreve também para o jornal Bombeiros de Portugal “como um acto de cidadania”. Há quem se faça acompanhar de um bloco para tomar notas e escrever “quando entendo que há coisas que não estão bem”. É o caso de Vítor Fernandes, 67 anos, 40 dos quais emigrado em França. Vive em Alpiarça e ocupa os tempos livres com a escrita. Tem 17 livros de 200 páginas cada com poemas da sua autoria. Vítor Fernandes escreve também para um jornal francês e até já comprou um computador, tendo aprendido a escrever no Word, a gravar documentos e a navegar na Internet sozinho pedindo algumas explicações a um sobrinho. “Para mim escrever é uma doença. Não escrevo por vaidade, para me mostrar, mas para desmascarar situações que todos falam mas ninguém tem a coragem de tornar públicas”, salienta o reformado. Na maioria dos casos as chamadas de atenção acabam por ter efeitos práticos, consideram Carlos Pinheiro e Vítor Fernandes. Mas também há quem confesse que por causa das cartas publicadas em O MIRANTE dos Leitores acaba por ser prejudicado na sua vida familiar. Ou, sublinha, mal visto por algumas instituições. Num dos últimos comentários que fez em O MIRANTE – Diário On Line, Vítor Fernandes escolheu a notícia sobre o fim das curvas da Raposa (concelho de Almeirim) com a construção de uma nova estrada, na edição de 11 de Janeiro. E aproveitou para contar que em 6 de Janeiro de 1968 teve “um terrível acidente com um camião” no qual perdeu uma vista. “Recebo com muita satisfação este trabalho 38 anos depois daquele fatídico dia dos Reis”, comentou. É a paixão pela escrita que leva o leitor de O MIRANTE Carlos Pinheiro a querer aprender mais sobre jornalismo. É por isso que tem em mente candidatar-se ao ensino superior. Quer ir estudar Comunicação Social para a Escola Superior de Tecnologia de Abrantes. Porque, como diz Silvino Domingos, reformado do Instituto Nacional de Estatística, “se nos alhearmos de tudo e todos, se não falarmos sobre o que se passa à nossa volta, sentimo-nos mais inúteis”.
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