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Sai mais amizade que cerveja no Bar do Pachan

Sai mais amizade que cerveja no Bar do Pachan

João Emídio um Chamusquense que gosta da vida

A cervejaria Emídio, junto à Igreja da Misericórdia, na Chamusca é mais conhecida pelo Bar do Pachan. O Pachan é João Emídio. Um homem que gosta tanto da vida e do convívio que por vezes deixa o papel de patrão e passa para o lado dos clientes.

Edição de 17.05.2006 | Especial Ascensão
Chamam-lhe Pachan porque em pequeno era rechonchudo e pachorrento. A alcunha perdurou e hoje a cervejaria Emídio, que herdou do pai, é conhecida pelo bar do Pachan. Um ponto de encontro dos jovens. Um espaço de animação na noite da Chamusca onde João Emídio mantém com os clientes uma relação quase familiar. A proximidade afectiva com os que frequentam o bar é tão grande que João Emídio chega a acompanhar os clientes a beber uns copos. Com 43 anos sente-se como um colega dos seus clientes mais novos, desde os 16 anos de idade. É muitas vezes o confidente. É a ele que alguns pedem conselhos sobre problemas amorosos. João Emídio diz que é uma espécie de Santo António da Chamusca, tantos são os casamentos que já nasceram no bar situado na travessa da Misericórdia. “Sou convidado para muitos casamentos que resultam de namoros iniciados aqui”, refere.Foi também no bar que conheceu a sua actual mulher, após ter terminado um casamento de duas décadas com outra mulher que lhe deu duas filhas de 12 e 19 anos. “Ela ia almoçar à cervejaria e começámos a conversar e nasceu a relação”. Diz. A conversa com O MIRANTE decorre no novo café do Pachan na zona central da Chamusca. Estamos sentados à mesa onde ele acaba de almoçar. “O pessoal trata-me como se fosse da idade dele. Gosto desta relação de proximidade, brinco com a malta, mas quando é preciso também lhes puxo as orelhas. Quando eles fazem algo de mal”, sublinha, enquanto come umas fatias de queijo regadas com uma cerveja ruiva. A barriga proeminente denuncia uma das suas paixões. “Adoro comer. Sou capaz de me sentar à mesa a conversar e estar sempre a comer”, confessa. O seu prato favorito são favas guisadas com entrecosto. Canja só se for em cima do excesso de álcool, para acalmar a ressaca.Pachan recorda um episódio hilariante dos muitos que se passam no espaço onde aprendeu em miúdo, com o pai, a servir copos de vinho. Uma vez um amigo de Lisboa entrou no estabelecimento e pediu-lhe uma “xandi”. João Emídio começou logo a cortar o pão para fazer a sandes, mas afinal o que o cliente queria era uma imperial”. Estabeleceu-se em 1985, depois de ter andado a trabalhar na construção civil. Na altura o estabelecimento era mais frequentado por trabalhadores rurais. Mas agora é o ponto de encontro da juventude, pelo menos até às duas da madrugada. Ao ponto das “mães deles dizerem que o bar do Pachan é a segunda casa dos filhos, conta João Emídio.Gosta do que faz, mas não considera uma paixão estar atrás do balcão. “É uma forma de sobreviver”, salienta, acrescentando que o melhor são as amizades que se ganham.
Sai mais amizade que cerveja no Bar do Pachan

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