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Operação mudança de ninho

Operação mudança de ninho

EDP transfere ninho de cegonha para evitar mais cortes de energia e proteger as aves

Este ano foi a primeira vez que a EDP de Santarém teve que mudar de local um ninho de cegonhas. Na operação conjugam-se interesses comerciais e protecção da natureza.

Edição de 17.05.2006 | Sociedade
Para proteger os filhotes de uma cegonha e evitar mais cortes no abastecimento de electricidade na zona de Almeirim e Glória do Ribatejo (Salvaterra de Magos), a EDP de Santarém encetou uma operação de transferência de um ninho. Foi na manhã de quinta-feira, 11 de Maio, num pórtico de cabos de alta tensão em Foros de Benfica, concelho de Almeirim.Às 10h45 quatro elementos da empresa Teletejo, contratada pela EDP – Electricidade de Portugal, começam a subir os dois postes paralelos que seguram as linhas por onde passam 60 mil volts de corrente. Antes de iniciarem a operação cumprem as regras de segurança. Aproximam dos fios uma vara com um medidor de tensão para ver se os cabos transportam corrente eléctrica.O aparelho começa a apitar. Do chão o engenheiro director de produção da Teletejo grita para os homens não subirem mais. Artur Ferreira, coordenador de manutenção da EDP de Santarém, confirma que a corrente foi interrompida naquele sector. Mas vai ao carro buscar outro medidor. No novo teste não se acusa a passagem de electricidade. Os homens avançam e colocam um cabo de ligação à terra para isolar a zona de trabalhos como medida de precaução. Dois elementos descem. No alto ficam os outros dois. Equipados com fato especial, máscara e luvas de borracha como medida de protecção por causa da ameaça da gripe das aves. Depois começam a desmontar um dispositivo anti-nidificação que roda com o vento para afastar as aves mas que neste caso não teve efeito. “As cegonhas são muito espertas e muito teimosas”, comenta o ornitólogo do Instituto de Conservação da Natureza (ICN), Vítor Encarnação, que acompanha os trabalhos de deslocação do ninho. Que só podem ser feitos com autorização expressa do ICN.Artur Ferreira vai contando que era urgente retirar o ninho de cima do pórtico. “Já houve disparos na linha devido aos paus que caem do ninho, apesar de anteriormente já o termos aparado”. “A situação também é perigosa para os filhos da cegonha que podem morrer electrocutados “, acrescenta o ornitólogo. Os trabalhos prosseguem com a colocação de uma plataforma em ferro no cimo do pórtico, afastada dos cabos. “Assim há segurança para a cegonha e para a linha”, prossegue Vítor Encarnação. Esclarece que esta não é a altura aconselhada para mexer nos ninhos, mas a situação é urgente. “É mais aconselhável mudar os ninhos de sítio entre Agosto e Dezembro, fora da época de reprodução, mas sempre com autorização do ICN”, explica. Entretanto os quatro ovos já desceram num balde com palha até terra firme, para evitar que se estraguem. O ornitólogo abana-os levemente junto ao ouvido. E dá a novidade: “Estão bons”. Se estivessem estragados ouvia-se o interior a chocalhar. Ao fim de mais de quase duas horas a plataforma está colocada. Os dois electricistas atravessam umas barras de ferro no ninho para o poderem levantar. Começam as dificuldades. É pesado e está preso ao pórtico. Após várias tentativas o ornitólogo do ICN autoriza a que se tente tirar por completo pelo menos metade do ninho, do meio para cima. O objectivo é conseguido.O balde sobe até ao cimo puxado através de uma corda com todos os cuidados. Os ovos são colocados um a um no interior. No rosto dos funcionários envolvidos na operação sente-se a satisfação. Agora a ave protegida por lei, que andou sempre a rondar a zona enquanto os trabalhos decorriam, pode continuar a chocar os ovos, mas em segurança.
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