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Um balão de esperança contra cancro da mama

Um balão de esperança contra cancro da mama

Mulheres declaram guerra à doença em Vila Franca

Vinte mulheres que declararam guerra ao cancro da mama largaram balões do Hospital de Vila Franca de Xira. Cada um levou uma mensagem de esperança.

Edição de 17.05.2006 | Sociedade
A mulher entra na sala de lenço brilhante a cobrir-lhe a nuca. A dor está estampada no rosto. Maria Luísa, a professora de educação visual e tecnológica, de 52 anos, que desde Fevereiro luta contra um cancro, senta-se no final da mesa corrida, preparada há apenas alguns minutos pelas voluntárias da Liga dos Amigos do Hospital de Vila Franca de Xira.Quem já está mais habituado aos convívios organizados há três anos pelas senhoras das batas amarelas, que distribuem chá, bolinhos e atenção pela consulta de oncologia do hospital, ocupa o lugar da frente do refeitório, na tarde de quarta-feira, 10 de Maio.São todas mulheres. O cancro da mama ensombrou-lhes um dia a vida, mas continuaram dispostas a lutar. Cada mulher tem uma história. E cada mulher apresenta um estádio diferente da doença.Aquelas que mais sorriem já ultrapassaram a fase limite. Foram devolvidas à vida. Mas sabem bem o significado do lenço sobre a nuca. Lenço é sinal de sofrimento. É sinal que a violência da quimioterapia continua a levar as madeixas de cabelo. Mas também é sinal de que é possível vencer a doença.Amélia Dinis, 85 anos, residente no Carregado, é prova viva de que é possível tudo isso e muito mais. Ficou viúva ainda jovem com uma filha de 15 meses nos braços, sobreviveu a um cancro da mama, a um problema no útero e viu a doença levar uma neta com 31 anos.A doença de Alzeimer vai-lhe roubando as memórias, mas a filha Maria Teresa Alves, 63 anos, lembra-se como ninguém desses momentos. As lágrimas escorrem-lhe pelo rosto. O problema que atingiu a filha há seis anos também já a tocou. “Já são três gerações atingidas pelo mesmo problema”, lamenta-se. O segredo para vencer? O apoio familiar e uma força interior inexplicável. “Não podemos deixar abalar o mundo à nossa volta”.A coordenadora do grupo de voluntárias, Lurdes Assunção, 62 anos, travou há 22 anos o maior combate de sempre – contra a doença. A “mãe” das batas amarelas venceu e ainda hoje continua a declarar guerra ao cancro. Com a ajuda da equipa de voluntárias.Só quem já esteve do lado de lá tem o poder de redescobrir o sorriso por detrás dos rostos pálidos. Entre dois dedos de conversa, uma ou outra anedota e um fado a lembrar que o destino nem sempre tem que ser negro.“O melhor para estas mulheres é a troca de experiências. É importante que vejam como está alguém que enfrentou o mesmo problema há 15 anos”, ilustra Lurdes Assunção.No final do encontro as voluntárias distribuem balões coloridos para largar do pátio do hospital onde as mulheres escrevem mensagens de esperança. “Melhores dias virão”, rabisca a mulher que traz o lenço na cabeça. Quem não sabe escrever faz um desenho para exprimir o desejo que vai na alma. Os olhos enchem-se de brilho, a doença esquece-se por momentos para olhar o céu colorido e ver as bolas transportar a esperança até ao lugar mais alto que o olhar já não alcança.Ana Santiago
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