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Vizinhança quer expulsar cabras de Adofreire

Vizinhança quer expulsar cabras de Adofreire

Moradores temem pela saúde pública e apelam às entidades competentes

O cheiro nauseabundo, a grande quantidade de moscas e uma recente epidemia de pulgas estão a deixar os moradores da Rua da Fonte preocupados com a saúde pública.

Edição de 17.05.2006 | Sociedade
Uma epidemia de pulgas foi o motivo que fez perder a paciência de quem tem de viver paredes-meias com um curral de cabras há quase uma década. É na aldeia de Adofreire, freguesia de Pedrógão (Torres Novas), que cerca de uma centena de cabrestos permanece dentro da localidade, num logradouro que aparenta não cumprir as mínimas condições de salubridade. As queixas dos moradores já se fizeram sentir num abaixo-assinado enviado à Delegada de Saúde e à Câmara Municipal de Torres Novas. Mas a situação continua por resolver. E os moradores mais próximos temem que a saúde pública possa estar em risco.A degradação ambiental e paisagística, o cheiro nauseabundo, a grande população de moscas e a recente epidemia de pulgas compõem o rol de queixas que levam os habitantes da zona a exigir a deslocação das cabras para fora da povoação. A gota de água aconteceu há menos de dois meses, quando o senhor Joaquim, mais conhecido na terra por “cabreiro”, resolveu fazer negócio com o estrume que tem vindo a acumular junto ao curral.“Há mais de quatro anos que ele não tirava dali o estrume, porque tem de amontoar uma quantidade suficiente para depois poder vender. Quando o retirou é que veio a invasão de pulgas. Já tive de pulverizar a minha garagem e os anexos três vezes com produtos químicos, para as matar”, diz Margarida Liberato.Com as paredes de casa coladas ao logradouro que abriga as cabras do vizinho, a moradora lamenta que as entidades competentes ainda não tenham posto cobro àquela situação. E invoca o direito à qualidade de vida quando pede uma solução urgente para “a imundície” que tem à porta de casa. Ciente das dificuldades económicas e sociais dos vizinhos, Margarida Liberato garante que não tem intenção de prejudicar ninguém e que a única coisa que pretende é precaver a saúde da sua família: “Tenho uma filha com asma e problemas de alergias. De certeza que não lhe faz nada bem ter de conviver de perto com cabras, estrume e pulgas”, argumenta.Preocupada com a situação, Margarida Liberato propôs aos vizinhos que estes apelassem à junta de freguesia no sentido de lhes ser cedido temporariamente um terreno para as cabras ficarem, até conseguirem resolver o problema. Mas, segundo diz, os proprietários do rebanho não viram com bons olhos essa opção.“O senhor Joaquim respondeu-me que gosta de ter o gado ao pé de casa, e disse que tinha sido criado num curral de cabras e nunca tinha apanhado doenças. A verdade é que se acomodaram à situação e nós é que somos prejudicados”, acrescenta.No terreno contíguo à casa dos criadores de gado, podem ver-se uns barracões velhos, improvisados com chapas de metal, madeira e mantas velhas, onde costuma permanecer o gado. A rodear o local, muito lixo acumulado. Uma visão, que segundo a vizinha dos criadores de cabras, já foi bem pior.Do outro lado da balança, pesam os argumentos da família que sobrevive à custa da criação de cabras. Gente humilde que vive em condições precárias e tenta, com alguma dificuldade, manter o negócio que serve de sustento para a casa.Confrontados com as queixas dos vizinhos, não quiseram adiantar grandes pormenores, até porque o chefe de família, o senhor Joaquim, tinha saído para pastar o rebanho. No entanto, uma das filhas do casal, Izilda Cardoso, adiantou que os pais não têm dinheiro para deslocar dali as cabras, apesar de reconhecer que as condições não são as mais propícias. E não pôde garantir que os barracões se encontram licenciados.Contactada por O MIRANTE, a Delegada de Saúde de Torres Novas não se mostrou disponível, até ao fecho desta edição, para prestar qualquer tipo de esclarecimento acerca do assunto.Carla Paixão
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