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“Trabalho todos os dias para ser melhor”

João Mendes designado melhor árbitro do distrital de Santarém

João Mendes foi o árbitro do ano para o Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Santarém. O jovem de Riachos, com apenas 24 anos, irá agora prestar provas para subir aos nacionais. João Bento e Paulo Castro também irão tentar a subida.

Edição de 24.05.2006 | Desporto
João Mendes foi designado pelo Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Santarém o melhor árbitro a actuar nos campeonatos distritais de futebol na época de 2005-2006.O jovem árbitro, de apenas 24 anos, natural de Riachos, concelho de Torres Novas, prepara-se agora para a subida aos nacionais. Para já à terceira divisão e, embora os seus horizontes vão muito mais além, prefere gozar agora o sabor desta conquista e fazer a sua carreira passo a passo.Em sua opinião, esta é a idade indicada para uma subida aos nacionais e, sem falsas modéstias, já contava com esta classificação. “A minha perspectiva era a de chegar aos nacionais nesta idade. Por isso, com os meus assistentes, preparei a época com todo o cuidado. Depois foi um trabalho feito com toda a disponibilidade, onde empreguei toda a minha vontade. Resultou e por isso vou continuar a trabalhar todos os dias para ser cada vez melhor árbitro e melhor homem”, garantiu ao nosso jornal o primeiro classificado da arbitragem no distrito.João Mendes garante que não é um árbitro de fim-de-semana e acredita que conseguiu uma grande maturidade e estabilidade como árbitro, muito por culpa do trabalho que faz diariamente. “Não vou para nenhum jogo sem conhecer minimamente as equipas que vou encontrar. No meu computador tenho catalogadas todas as equipas, quer na questão disciplina quer no comportamento do público e directores. Aliás o meu computador é quase um mundo ligado à arbitragem”, referiu.Quando se dedica a uma coisa é para a levar mesmo por diante, e por isso João Bento vive a arbitragem muito intensamente. Não falha a um jogo para que é nomeado nem pede dispensas. Nesta altura e nesta época já leva arbitrados 112 jogos, aceita sem rebuço conselhos de companheiros que lhe ensinem a ser melhor. “Admiro muito o André Gralha, o Hélder Pardal, o Hugo Faria e o Jorge Maia e ouço atentamente todos os seus concelhos”, disse o árbitro do ano.É por isso que o primeiro lugar deste ano não foi uma grande surpresa. Embora reconheça que há outros companheiros que também mereciam a subida aos nacionais. “Infelizmente só um é indicado, o que é pena porque os cinco que foram à apreciação final mereciam todos a subida”, diz com simplicidade.O melhor árbitro do distrital na presente época entrou para a arbitragem aos 17 anos, por vontade de conhecer o que é realmente ser árbitro de futebol, e por influência dos ex-árbitros José Gama Henriques e Carlos Estriga.João Mendes destaca o trabalho que é desenvolvido no Núcleo de Árbitros do Ribatejo Norte. Em sua opinião não é por acaso que os três árbitros do distrito de Santarém que vão prestar provas para a subida, integram todos o Núcleo. Além dele, os outros dois que vão prestar provas são João Bento, que ficou em segundo lugar, e Paulo Castro, que ficou em primeiro lugar na classificação de árbitros assistentes e irá também prestar provas nessa especialidade.O jovem árbitro tem consciência dos problemas que afligem a arbitragem portuguesa, mas isso não lhe mete medo. Está consciente das dificuldades que vai encontrar mas garante que se sente preparado para as enfrentar. “As situações que encontramos aqui no distrital de Santarém dão-nos uma grande tarimba e deixam-nos preparados para tudo”, acredita.João Mendes foi um dos árbitros que teve dificuldade em resolver os problemas que foram colocados pelas finanças. “Na altura estava desempregado e não me podia colectar porque perdia regalias. Estive muito tempo a fazer jogos sem receber nada. Foi um grande problema. Felizmente com a ajuda do André Gralha, do Paulo Castro e da Associação conseguimos resolver para já o problema. Estou-lhes muito agradecido por isso”, garantiu. Na sua opinião este caso do fisco, se não for bem visto e não for encontrada uma solução, vai afastar ainda mais os jovens da arbitragem. “Na idade de entrar para a arbitragem os jovens ou são estudantes ou andam à procura de emprego, e por isso não se podem colectar porque perdiam regalias, e o que se ganha nos distritais não dá para colmatar essas perdas. A opção, mesmo gostando muito é o afastamento”, comenta João Mendes.Contrariamente ao que passa para o exterior, o árbitro torrejano destaca também o excelente trabalho que tem sido efectuado pela direcção do Conselho de Arbitragem. “Têm tentado tudo para puxar pelos árbitros, têm ajudado todos por igual, e sobretudo têm sido justos nas nomeações. Acho que têm estado a fazer um bom trabalho”, disse, dando como exemplo a possibilidade do distrito voltar a ter um árbitro na primeira liga e a subida de mais um à segunda divisão.O primeiro lugar de João Mendes foi comemorado pela sua família com um misto de alegria e frustração. Alegria pela sua classificação e frustração pelo quinto lugar alcançado pelo seu irmão gémeo Rui Mendes. “Penso que ele merecia um lugar melhor. Foi penalizado porque trabalha e teve que pedir algumas dispensas. Não foi porque não fosse um excelente árbitro”, referiu, também ele com um misto de satisfação e tristeza.

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