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Bifes, pescada e abstinência sexual

Edição de 24.05.2006 | Entrevista
Quando era atleta de competição era como o Carlos Lopes que comia de tudo e bebia uns copitos?Não. Hoje bebo com regularidade à refeição e gosto muito de vinho, mas durante aqueles anos todos não bebia. Nem cerveja. Durante os 18 anos que corri não bebi dez cervejas.E tinha cuidado com a alimentação?Tinha algum. No início era uma coisa doentia. Incutem-nos uma série de coisas que nós depois, com o tempo, percebemos que não são correctas. Nos primeiros tempos do Sporting, nos dias em que estivéssemos no estádio de Alvalade - e podia ser um dia ou uma semana ou duas consecutivas - comíamos sempre ao almoço e ao jantar pescada cozida e bife grelhado. Ainda hoje não consigo comer pescada.E havia autorização para escapadelas nocturnas?Nós nunca fomos muito disso até porque havia aquela ideia de que os atletas de alta competição não deviam ter relações sexuais. Eu não tenho vergonha de dizer que enquanto jovem estava meses sem ter relações sexuais. Era assim que nos diziam que tinha de ser e eu fazia.Era quase um sacerdócio…Completamente. Nós éramos putos com vinte anos e acordávamos ao meio da noite completamente encharcados. Ou estávamos num sítio qualquer e até corávamos de vergonha porque qualquer coisa nos fazia ter uma erecção.Na altura já havia assédio às vedetas?O tempo era outro mas costumo dizer que nos meus tempos de jovens terei passado muitas vezes por maricas. É verdade. As miúdas devem ter pensado que eu não gostava de mulheres. Felizmente que as coisas mudaram. Comecei a ler mais e a falar com outras pessoas que me diziam que não era preciso ser assim. A minha ida à França abriu horizontes.

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