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Cobaia do doping

Edição de 24.05.2006 | Entrevista
Marco Chagas é dos desportistas que mais sentiu na pele os problemas do doping. Foi na época que correu que os controlos começaram a ser mais apertados. Devido a análises positivas perdeu uma volta a Portugal que tinha vencido e foi desclassificado em outra ocasião.O seu primeiro problema foi na volta de 1979, quando era atleta do Lousa. Nesse ano ganhou a sua primeira Volta a Portugal mas foi desclassificado já depois da volta ter terminado. É um assunto que o deixa triste mas sobre o qual não tem receio de falar.“Naquela altura havia muita indefinição e muita falta de cuidado também. Eu e o pessoal da minha geração pagámos muito caro isso porque até aos anos 70 o uso dessas substâncias era livre”, refere Marco Chagas, admitindo que nesse ano tomou coisas que não devia ter tomado.“Nós achávamos sempre que estávamos dentro da lei. Ainda hoje a fronteira é muito ténue. Só que naqueles tempos não tínhamos médicos nem ninguém que nos apoiasse ou que nos dissesse o que se podia ou não tomar. Normalmente eram os massagistas que diziam que o outro tinha dito que se podia tomar. Nós fomos um bocado cobaias disso”.O erro serviu-lhe de emenda e garante que a partir dai nunca mais tomou nenhuma substância ilegal. O que não o impediu de ser desclassificado mais uma vez devido a análises de doping positivas.“Foi a maior injustiça que me podiam ter feito”, diz, garantindo que, conscientemente, nunca tomou nada que tivesse efedrina e muito menos norefedrina, substância que acusou nas voltas a Portugal de 1984 e 1987, em que foi desclassificado. “Eu muitas vezes nem vitaminas tomava”, garante.Luís Horta, um dos mais reconhecidos especialistas portugueses na matéria, tem uma justificação que Marco Chagas considera que pode ser a razão para o que lhe aconteceu.Nessa altura (anos 80) começaram a vir para Portugal as primeiras tabletes energéticas e alimentos líquidos compostos feitos na hora. João Rocha, que era presidente do Sporting e tinha negócios nos Estados Unidos, mandou vir produtos desses para a equipa de futebol e posteriormente para a secção de ciclismo.“Hoje está provado que no início esses concentrados alimentares tinham uma composição demasiado rica, incluindo os derivados da efedrina”, diz o ciclista recordando que as substâncias que levaram à sua desclassificação hoje são legais.

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