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O Patético Leilão

É chegado o tempo de se começar a pensar, de uma vez por todas, em responsabilizar (inclusive criminalmente, se for caso disso) as gestões públicas ruinosas (municipais e não só), cujas consequências, de uma forma ou doutra, recaem, naturalmente, sobre o erário público: entenda-se sobre todos nós!

Edição de 24.05.2006 | Opinião
O bizarro tomou conta da vida política chamusquense com os patuscos leilões municipais de velharias que têm alimentado, nos últimos tempos, o anedotário regional.É ver, então, o presidente Carrinho, apregoando um retrato mais ou menos identificável de Salazar, salvado ao frenesim do PREC em qualquer ignota escola primária do concelho.Um euro por esta preciosidade! O supra-sumo dos nossos ditadores! Um pouco deteriorado, é certo! Nada que umas pinceladazinhas não resolvam!Um euro! Quem dá mais?E enquanto a “primeira dama” regista as arrematações, vão mudando de mão, azulejos mais ou menos antigos, imagens de santos, livros e mapas escolares, cinzeiros, fotos, panelas da cantina, cruzes do cemitério, senhas de racionamento do tempo da guerra, chapas de identificação de cães, de carroças e de cantoneiros, fardas da Mocidade Portuguesa e de funcionários da câmara e até, calcule-se, o selo branco do município! Feitas as contas apurar-se-ão, numa primeira acção, pouco mais de seis mil euros: uma gota de água nas despesas municipais!É uma imagem impressionante! E, principalmente, confrangedora!Um presidente da câmara, representante máximo dos munícipes da Chamusca, transvestido em pregoeiro de serviço, vendendo ao desbarato indiferenciado património municipal (em que a diferença entre “antigo” e “velho” é feita, naturalmente, a olho), de forma a apurar-se uma receita “mixuruca” que não chega sequer para pagar a actuação, em “play back”, de um qualquer cantor “pimba”, na Festa da Ascensão! Como é que diabo se chega a uma situação destas?!É certo que a dignidade da função autárquica tem sido seriamente abalada pelo comportamento das Fátimas, Valentins, Ferreiras Torres e quejandos do nosso panteão de “chico espertos” portugueses e anda, já há algum tempo, pelas ruas da amargura. É certo, ainda, que este é um concelho em desertificação acelerada (fruto, em grande parte, de políticas de ordenamento do território erróneas e insuficientes), o que poderá ter levado os seus responsáveis a arriscar projectos voluntariosos, vistos como susceptíveis, de alguma maneira, de inverter ou atenuar essa tendência. Tendência que, contudo, transcende significativamente o alcance das políticas económicas de uma qualquer câmara municipal. Mas, afinal, que gestão é esta que deixa criar situações dramáticas desta natureza?Que leva um presidente, em desespero de causa, a entregar-se às autoridades policiais e o obriga, agora, a converter-se num “vendedor de feira”?!E, o que é mais grave, sem qualquer efeito significativo previsível!É algo que nos deve fazer reflectir!Até porque estas situações de asfixia económica se vêm tornando cada vez mais frequentes!O poder, quiçá excessivo, dos presidentes de câmara (que, aliás, se pretende ainda potenciar com os anunciados executivos monopartidários), leva frequentemente a um natural abuso do mesmo, traduzido, em termos económicos, em decisões pouco racionais (assentes que estão numa noção de quase impunidade), gastando, alegre e irresponsavelmente, o que há e o que não há!Ora o dinheiro público não é um dinheiro de ninguém; caído nos cofres municipais por “obra e graça do Espírito Santo”! É um dinheiro de todos! O que deveria implicar acréscimos, óbvios, de responsabilidade!É chegado o tempo de se começar a pensar, de uma vez por todas, em responsabilizar (inclusive criminalmente, se for caso disso) as gestões públicas ruinosas (municipais e não só), cujas consequências, de uma forma ou doutra, recaem, naturalmente, sobre o erário público: entenda-se sobre todos nós!E limitar, assim, a lógica do endividamento sistemático! Dos investimentos vistos numa óptica essencialmente eleitoral!Do quem vier a seguir que pague! Do,.. se formos nós, ...logo se vê!Mas também da actividade autárquica vista, não como missão, mas como profissão que é preciso, a todo o custo, perpetuar! Dos vícios acumulados em dezenas de anos de exercício do cargo! Do indivíduo que se funde e, ...confunde com a função!Do “boy” tornado “job” por transfiguração vivencial!

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