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Bombeiros do Cartaxo sem comando

Bombeiros do Cartaxo sem comando

Cortes orçamentais e nova reorganização ditados pela câmara acabam em demissão

Paulo Catarino não aceita a responsabilidade de liderar a corporação com falta de meios e deficiente operacionalidade. Paulo Caldas assegura que há novo comando até final do mês.

Edição de 24.05.2006 | Sociedade
O comandante dos Bombeiros Municipais do Cartaxo (BMC) apresentou a demissão ao presidente da câmara em protesto contra a política de cortes orçamentais levada a cabo pela autarquia. O segundo comandante e o adjunto de comando acompanham-no na tomada de posição, que também foi aceite pela câmara.A decisão foi tomada há pouco mais de uma semana devido à saída de sete elementos profissionais do corpo nos últimos meses, dois dos quais por não renovação dos contratos. Uma situação que, explica Paulo Catarino, põe em causa a operacionalidade do corpo. Em perspectiva há mais dois elementos profissionais em final de contrato em que a não renovação é a possibilidade mais séria. Um dos quais um bombeiro com experiência de cerca de 20 anos na função e elevada formação.O corpo de bombeiros do Cartaxo conta actualmente com 25 profissionais e 30 voluntários. “Com os actuais meios humanos ao serviço da corporação está posta em causa a operacionalidade dos bombeiros e não posso assumir essa responsabilidade”, sustenta Paulo Catarino. Aduz que a estrutura actual dos bombeiros já funciona em “serviços mínimos”.Um argumento rejeitado pelo presidente da Câmara do Cartaxo. Paulo Caldas (PS) recorda que o que está em causa é definição de novas regras na definição de escalas de serviço, de contratação de pessoal e de gestão dos BMC. “O comandante indisponibilizou-se para liderar esta alteração de regras e pediu a demissão que já aceitei”, recorda.O edil do Cartaxo refere que o que está em causa é atingir os mesmos objectivos em termos operacionais com menos meios e recursos humanos. “Há seis anos que coordeno os bombeiros e penso que há condições para realizar um bom trabalho, com menos do que um milhão de euros anuais que custa esta estrutura”, salienta.Paulo Catarino recorda, por seu turno, que começa a ser difícil dar resposta a todas as solicitações. É o caso das ocorrências de emergências médicas no concelho, que vão surgindo à média de 17 por dia. O comandante demissionário defende que não é a reduzir o número de profissionais do corpo que se atingem os objectivos.”Quanto menos elementos tivermos mais horas extraordinárias têm de fazer”, recorda. Paulo Catarino diz ser impossível fazer ovos sem omeletas como lhe pede o líder de edilidade. Além do crescimento do concelho, lembra que a abertura do nó de acesso à A1 no concelho veio trazer mais responsabilidades à corporação. Comandante dos BMC há quatro anos, Paulo Catarino foi renomeado no cargo em Outubro de 2005, no início do actual mandato autárquico. Mas integra a estrutura de comando desde 1999. Agora vai tirar férias e reassumir o seu trabalho de funcionário da autarquia na divisão de obras municipais.Tem como segundo comandante Vítor Reis e como adjunto de comando, David Lobato. Apesar da contenção de custos definida, a estrutura de comando ganhou em Outubro um novo elemento remunerado - o presidente da Junta de Vale da Pinta, Fernando Ramos (PS), numa função que então Paulo Caldas justificava como de ligação entre a autarquia e o comando na área da protecção civil.Elemento que, segundo explica o autarca, não se irá manter na estrutura do comando. Quanto à escolha do novo comandante o autarca do Cartaxo assegura que não será um político nem uma pessoa de confiança política, admitindo que como solução a definir até final do mês poderá ser escolhido um técnico habilitado de fora do concelho.
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