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Família martirizada pelo cancro

Família martirizada pelo cancro

Casal de Benavente com dois filhos menores precisa de ajuda

Um jovem casal de Benavente com dois filhos menores foi atingido pelo drama do cancro e está a atravessar graves carências económicas. Vale-lhes a ajuda dos amigos e familiares.

Edição de 24.05.2006 | Sociedade
“Primeiro foi a mãe. E agora é o pai. Porquê?”. A pergunta foi feita por um dos dois filhos menores de Eduarda e Vítor Neves, um jovem casal de Benavente atingido pelo drama do cancro que só está a sobreviver às graves carências económicas graças à ajuda de familiares e amigos.O quarto da filha do casal, de oito anos, transformou-se há poucas semanas no compartimento escuro e silencioso que garante o derradeiro descanso a Vítor Neves, 38 anos. Um cancro de estômago galopante atingiu o electricista há cerca de um ano e os médicos já retiraram qualquer esperança à família.Os olhos de Eduarda Neves, 33 anos, enchem-se de água quando se fala no futuro avassalador que a espera. A si e aos dois filhos de 8 e 12 anos.Há três anos a doença bateu à porta da mulher. O diagnóstico de cancro na mama foi feito numa fase inicial e Eduarda conseguiu vencer recorrendo à cirurgia. Mas devido à violência da intervenção ficou sem força no braço e impossibilitada de continuar a exercer a função de ajudante de cozinha.Recebe uma pensão de invalidez de 220 euros que não chega para pagar o empréstimo da casa no valor de 230 euros. O subsídio que o marido recebe de 338 euros é insuficiente para custear despesas de alimentação, água, luz, gás e roupa e calçado para os dois menores. Há nove anos o casal contraiu o empréstimo para a compra do pequeno apartamento onde residem na vila de Benavente. A casa tem um aspecto limpo e arrumado. As mobílias que adquiriram enquanto puderam trabalhar os dois é tudo o que resta a Eduarda Neves. Às suas costas ficará o encargo do empréstimo bancário da casa que não tem seguro que garanta o pagamento automático do imóvel em caso de morte de um dos cônjuges.A mensalidade do empréstimo da casa está em dia graças à ajuda de amigos e familiares do casal, que durante o último ano só recebeu a título esporádico três prestações de 250 euros da segurança social. “Precisaríamos pelo menos desse valor mensalmente para conseguir pagar as contas”, diz Eduarda, que deixa mensalmente na farmácia mais de 40 euros.Revoltados com o drama que a família está a viver um grupo de amigos vendeu umas rifas e fez um peditório. Beatriz Ferreira, uma das amigas do casal que iniciou a onda de solidariedade, receia que a população não tenha capacidade para continuar a ajudar a família que precisa de apoio financeiro do Estado. “Não é justo que não seja atribuído um apoio ao casal só porque têm a casa limpa”, diz Carlos Trindade, o proprietário de um café da zona, que conhece de perto do drama familiar que ali vive.Há 15 anos Eduarda, natural de Ferreira do Zêzere, e Vítor juraram amor eterno para o bem e para o mal, na saúde e na doença. O pior dos cenários confirmou-se. Demasiado cedo para alguém que tinha ainda muitos sonhos por cumprir. Ana Santiago
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