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Polémica na paróquia

Polémica na paróquia

Doadora diz que a sua vontade não foi respeitada pela Fábrica da Igreja de Alcanede

Uma pequena parte do terreno doado foi utilizado para fins que não constavam na escritura. A benemérita não gostou que isso fosse feito à sua revelia.

Edição de 24.05.2006 | Sociedade
A paróquia de Alcanede é acusada de ter cedido abusivamente à Santa Casa da Misericórdia local parte de um terreno que lhe havia sido doado por uma moradora. A finalidade da oferta era construir-se ali um centro pastoral, uma casa paroquial ou um centro de apoio às actividades da paróquia. Obras que até à data não avançaram.Em vez disso, segundo a benemérita, Gracinda da Conceição da Inês, uma pequena faixa desse terreno acabou por ser utilizada na construção do acesso ao Centro de Dia da Misericórdia, que se situa paredes-meias. Uma situação com que não se conforma, por considerar que não respeita o espírito da doação, aliás bem expresso na escritura pública celebrada entre ela e a Fábrica da Igreja.Afirmando que nada a move contra a Misericórdia, da qual aliás é irmã, Gracinda Inês, 81 anos, confessa que ficou “indignada e ofendida” por nada lhe ter sido comunicado aquando dessa cedência. E, acrescenta, pior ficou quando as entidades envolvidas recusaram assumir o alegado erro.Garante que o terreno que doou à igreja (com cerca de 11 mil metros quadrados) tinha marcos delimitativos que terão desaparecido aquando das obras feitas pela Misericórdia. Marcos esses que, na sua opinião, se lá estivessem hoje evidenciariam a área de terreno da paróquia que foi ocupada pela Misericórdia.A provedora da Misericórdia de Alcanede assegura que não existiam quaisquer marcos no local quando a instituição comprou o terreno. Conceição Cigalho alega que o único terreno ocupado se prende com uma pequena faixa com cerca de 1,5 metros de largura no início do acesso ao Centro Dia. Desmente que na parte superior do terreno tenha sido ocupada qualquer área. A queixosa diz que, se tivessem falado previamente com ela, teria concordado em procurar uma solução sem que a igreja ficasse “tão penalizada”. Afirmando-se cansada para encetar uma luta nos tribunais, Gracinda da Conceição Inês quer que, pelo menos, se faça uma escritura de serventia comum entre a igreja e a Misericórdia no que diz respeito àquela faixa de terreno.Uma solução que a provedora da Misericórdia diz já ter sido assumida com a Fábrica da Igreja. A serventia construída ficará também ao serviço da paróquia assim que ali sejam construídos os equipamentos projectados. E ficará ressalvado que essa faixa de terreno utilizada na construção do acesso é pertença da igreja.Conceição Cigalho lamenta que o assunto tenha chegado à praça pública. “A Santa Casa da Misericórdia não ocupou terreno nenhum, para além da pequena faixa para a serventia comum. Isto foi tudo feito de comum acordo com a Fábrica da Igreja”, sublinha.Acrescenta que sempre agiram de boa fé e que algumas divergências pessoais podem estar na origem da polémica. A provedora revela que já falaram com Gracinda Inês para tentar esclarecer o assunto e que sempre agiram de boa fé. “Agora a senhora querer que lhe prestemos uma homenagem, isso não fazemos”, conclui.O assunto já chegou à Diocese de Santarém, que, através de carta assinada pelo vice-chanceler da Cúria, padre António Mendes Silva, garantiu à queixosa que estava a ser respeitada a sua vontade, tanto pela paróquia como pela Misericórdia.O MIRANTE tentou contactar via telemóvel o pároco de Alcanede para obter a sua posição sobre o assunto. Até ao fecho desta edição tal não foi possível. João Calhaz
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