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Desempoeirado Manuel Serra d’Aire

Edição de 31.05.2006 | E-mails do outro mundo
Os fenómenos do Entroncamento continuam na berra. A história do boato que começou a circular por e-mail, de que a câmara se preparava para realojar famílias ciganas vindas de fora, dava azo a mais uma série televisiva do autarca Moita Flores.Que posso eu dizer sobre tão transcendental caso? Apenas que há alturas em que um homem mais vale estar quieto ou ser seleccionado pelo Scolari. No caso, o presidente da câmara. Que tem tanto de xenófobo como de bom comunicador. Se ele tivesse escrito aos munícipes que, além dos ciganos, também não realojaria chineses, peles-vermelhas, militantes anti-globalização, skinheads, antigos activistas do grupo de trabalho homossexual do PSR, adeptos do Belenenses ou simpatizantes do PPM vindos de outros concelhos os homens do Bloco tinham ficado calados. Assim chamaram-lhe xenófobo. E agora siga a marinha, que se faz tarde. Outro fenómeno desta região é o político Herculano Gonçalves, que mais uma vez tenho o prazer de elogiar desinteressadamente neste espaço pelas suas incríveis façanhas. Se os tipos da Marvel soubessem da sua existência, transformavam Herculano num dos seus super-heróis, no caso o Super-Candidato. Porque quando o homem sonha que há eleições para qualquer coisa num raio de 50 quilómetros não resiste e tem de concorrer. Seja para câmaras municipais, para a Assembleia da República, para a distrital do CDS, para o condomínio ou para a associação columbófila.Aquilo está-lhe no sangue. Ouve falar numa disputa eleitoral e o anónimo técnico de contas de Alcanena transfigura-se. Serve-se da cabina telefónica mais próxima para mudar de pele, veste o seu fato cinzento de candidato, apruma a obrigatória gravata e voa para a campanha eleitoral mais próxima.A última batalha em que se meteu foi para a presidência da Associação de Futebol de Santarém. E não fez as coisas por menos. Na senda de outros objectivos a que se propôs, como o de classificar o fandango como património nacional, quer colocar um clube do distrito na Superliga de futebol nos próximos quatro anos. Como? Isso depois se verá.O que interessa ao caso é que há super-heróis que se contentam apenas em salvar o mundo de vilões como o Saddam, o Dr. Octopus ou o ministro das Finanças. Mas o nosso Herculano não se limita aos serviços mínimos e lança-se a um cometimento que pede meças aos navegadores quinhentistas. Ele quer ser o redescobridor do caminho marítimo para a Superliga, onde espera chegar pelo menos com uma nau. Bem-aventurada região que tão ditosos filhos tem.Afortunada região que recusa ficar para trás e opta por ombrear com o resto do país. A história das comichões induzidas por um episódio de uma série televisiva é um bom exemplo. A TVI sugere e a malta coça-se. Ainda há gente de boa fé que acredita que a culpa foi da lagarta do pinheiro, que atacou em várias escolas de norte a sul do país. E eu próprio fiquei com dúvidas quando vi com os próprios olhos dois jovens – macho e fêmea, para que não fiquem dúvidas - à porta de um prédio em pleno dia a coçarem-se mutuamente com um vigor frenético. Pensei mesmo em chamar o 112 tal era o aparente desespero das vítimas. Mas cheguei à conclusão que aquilo que a jovem tentava arrancar violentamente do corpo do jovem era resistente demais para ser uma processionária. E a lagarta do pinheiro não se deixa agarrar assim.Calorosas saudações do depravado Serafim das Neves

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