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A última noite do Lua Azul

A última noite do Lua Azul

GNR fecha bar e casa de prostituição em Marinhais

Uma operação desencadeada pelo destacamento de Coruche da GNR acabou com alegadas actividades de prostituição numa propriedade em Marinhais, onde está instalado o bar Lua Azul.

Edição de 31.05.2006 | Sociedade
Era uma da manhã de domingo, 28 de Maio, quando guardas da equipa de intervenção rápida da GNR entram de rompante no bar Lua Azul, na Estrada Nacional 367, em Marinhais (Salvaterra de Magos). A sala está escura, os clientes estão espalhados pelo espaço com um varão de “strip tease” ao meio. De repente pára a música. Acendem-se as luzes. “A festa acabou”, diz um guarda. Está em marcha a operação “última noite”. “Mulheres para aquele canto. Os clientes aguardam naquela zona”, ordena um operacional. No mesmo terreno, a cem metros, outros guardas cercam uma casa onde dormem as 15 mulheres que trabalham no bar e são alegadamente usadas na prostituição. Cinco homens são apanhados em flagrante a manter relações sexuais nos quartos, a maior parte deles no sótão, onde uma ventoinha tenta dissipar o calor irrespirável. No interior do bar de paredes cor de tijolo um militar começa a recolher os passaportes das mulheres de nacionalidade brasileira. Verifica-se que onze estão em situação ilegal no país. “As senhoras já não vão passar esta noite aqui, vão dormir a Tires”, avisa. O estabelecimento prisional já estava àquela hora a preparar-se para as receber. Militares da secção de investigação criminal procuram provas. Entram na cozinha do bar onde há tachos mascarrados e comida espalhada por cima da bancada. Entretanto os cerca de 30 clientes, a maior parte visivelmente alcoolizada, começam a ser chamados um a um para serem identificados e depois arrolados como testemunhas. Um deles é apanhado com uma dose de haxixe. O dono do negócio é apanhado na residência no mesmo espaço, algemado e levado para o bar. A gerente também é detida. Ele foi para o posto de Samora Correia e ela para Coruche, onde ficaram detidos até segunda-feira. Altura em que foram presentes ao juiz de instrução criminal do Tribunal de Vila Franca de Xira. Nessa altura já tinham sido retirados do local os equipamentos de som apreendidos. Por volta das quatro da manhã chega um autocarro da GNR para onde as mulheres são encaminhadas. A primeira fase da operação está a chegar ao fim. No local ficam vários militares armados a fazer guarda. E três horas mais tarde começam as buscas às residências dos suspeitos. É detido mais um homem, de 50 anos, proprietário do espaço.Nas buscas a GNR encontra provas da prática dos crimes de lenocínio e auxilio à imigração ilegal. Entre elas estão documentos e dezenas de caixas de preservativos. O negócio já vinha a ser investigado pela GNR há sete meses, depois de já ter havido uma investigação da Polícia Judiciária iniciada há cinco anos e que depois transitou para o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Na segunda-feira os três detidos foram ouvidos pelo juiz de instrução criminal do Tribunal de Vila Franca de Xira, que lhes aplicou a medida de coacção de apresentações bissemanais no posto da área de residência até ao julgamento. No Tribunal de Benavente foram ouvidas em primeiro interrogatório as brasileiras, tendo dez delas sido notificadas para se apresentarem no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) do Porto com vista à sua extradição. António Palmeiro
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