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Absentismo atinge níveis preocupantes

Absentismo atinge níveis preocupantes

Operários e auxiliares são os que mais faltam ao trabalho nas câmaras

Os municípios estão preocupados com o número de dias de faltas dos trabalhadores. Nalguns casos atinge a média de 50 dias por ano.

Edição de 31.05.2006 | Sociedade
Nas câmaras municipais há trabalhadores que passam o ano a faltar ao trabalho. Em alguns municípios a média por funcionário passa os 50 dias de ausência por ano. O absentismo nas câmaras municipais começa a ser preocupante, sobretudo ao nível dos operários e auxiliares, que são os mais faltosos.Em algumas câmaras, como é o caso de Santarém, os funcionários com a categoria de operários passaram, em média, 65 dias úteis de 2005 sem trabalhar. Ou seja três meses num ano.E não são só os municípios maiores a serem afectados pelo problema. Na Golegã os 28 operários da câmara municipal faltaram por motivos de doença, acidentes de serviços entre outras, uma média de 28 dias. Se a este número juntarmos 22 dias de férias, a fasquia sobe para 50 dias longe do ofício. Os motivos dos números de faltas, considerados muito elevados pelos autarcas, têm a ver com questões de natureza social. E remontam aos finais da década de 80, segundo a análise do presidente da Câmara de Tomar, António Paiva (PSD). “Nessa altura houve problemas sociais fortes e o município deu emprego a muitas pessoas desfavorecidas”, explica. Os problemas sociais, os desvios associados a hábitos pouco saudáveis, propiciam a doença. “Há pessoas que estão de baixa médica praticamente todo o ano”. O que no entender do presidente de Abrantes, Nelson Carvalho (PS), “se reflecte na produtividade” (ou falta dela) da administração pública. Dos mais de 9 mil dias de faltas em 2005 no município de Abrantes, quase seis mil estiveram relacionadas com doenças. O que no entender de Nelson Carvalho é um número muito elevado, apesar da maioria das situações ser justificada com atestado médico. “É fácil estar doente”, desabafa o autarca com ironia. No entender do vice-presidente da Câmara da Chamusca, onde os 158 trabalhadores deram 3.047 faltas no ano passado, não é fácil gerir a situação. “Por vezes precisamos das pessoas para fazer um trabalho e não podemos contar com elas porque estão doentes. Mas, noutras alturas, esses mesmos funcionários disponibilizam-se incondicionalmente para trabalhos urgentes”. O absentismo nas câmaras origina custos acrescidos, já que os trabalhadores que faltam são substituídos por contratados temporários, como acontece em Tomar. Onde um em cada cinco trabalhadores das categorias de operário e auxiliar tem problemas de saúde frequentes. Para tentar controlar o aumento do absentismo por motivos de doença na Câmara de Santarém (que passou de 9.744 dias em 2004 para 12.197 em 2005) o vice-presidente, Ramiro Matos (PSD), quer aumentar a fiscalização. “Vamos pedir à delegação de saúde para avaliar algumas situações”, referiu, acrescentando que está em vista também a criação de um prémio de assiduidade. Outros, como o vice-presidente da Câmara da Chamusca, consideram que se está perante um problema cultural e de gerações. “Temos que esperar que os funcionários se reformem”, sublinhou Francisco Matias. O que pode levar vários anos, já que a média de idades dos trabalhadores de algumas autarquias anda entre os 40 a 50 anos. Mesmo assim há quem considere, como é o caso de António Paiva, que ainda vale a pena ter operários ou auxiliares nos quadros dos municípios. António Palmeiro
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