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Consultas para largar o tabaco só em Santarém

Consultas para largar o tabaco só em Santarém

Sistema nacional de saúde sem resposta

O Hospital de Santarém é a única unidade de saúde da região onde há consultas específicas para quem quer deixar de fumar. Mesmo assim são restritas.

Edição de 31.05.2006 | Sociedade
Quer deixar de fumar mas não sabe como? Está farto de experimentar pastilhas, adesivos e outras soluções sem resultado? A resposta pode estar nas consultas para tabagistas que a médica Graça Evaristo dá no Hospital Distrital de Santarém. Só há um senão: as consultas destinam-se apenas a pacientes que estejam internados no hospital ou a funcionários do mesmo.De qualquer forma esse é o único local no distrito de Santarém onde há consultas exclusivas para quem padece do vício do consumo de tabaco. No Centro Hospitalar do Médio Tejo não há atendimento específico nesse âmbito e nos centros de saúde do distrito também não, conforme revela o coordenador da Sub-Região de Saúde de Santarém.“Não há nenhum plano nacional para essa área” afirma Fernando Afoito, acrescentando que neste momento não há “nada de objectivo” quanto à implementação de consultas desse tipo. Ao contrário do que sucede, por exemplo, na Sub-Região de Saúde do Porto onde está em marcha um projecto que visa dotar todos os centros de saúde, até final do ano, de consultas aos utentes que queiram deixar de fumar.Também em Vila Franca de Xira e Azambuja, já no distrito de Lisboa, não há consultas anti-tabágicas. Os utentes dos centros de saúde que queiram pôr fim à dependência da nicotina são munidos de uma credencial pelo seu médico de família e remetidos para os hospitais de Santa Maria, Santa Marta, Pulido Valente ou Egas Moniz, todos em Lisboa.“Não temos pessoal formado especificamente nessa área”, explica o director do Centro de Saúde de Azambuja, António Ramalho, para justificar a inexistência de consultas. Uma situação que é comum em toda a região.A excepção acontece em Santarém. E não falta trabalho à médica Graça Evaristo. Porque são cada vez mais as pessoas a tentar largar uma prática que, económica e socialmente, começa a ser cada vez mais penalizada e combatida. O aumento do preço do tabaco e a impossibilidade de fumar em locais públicos são medidas tão ou mais dissuasoras do que as consequências para a saúde. Mas sem acompanhamento especializado é difícil vencer a batalha.Graça Evaristo acompanha actualmente cerca de 200 pacientes e é a única médica a dar consultas de desabituação tabágica na região. Daí a selecção de “clientes” se confinar aos utentes do Hospital de Santarém. É que a médica pneumologista só dispõe das tardes de terça-feira para atender quem a procura. O trabalho no hospital e no Centro de Diagnóstico Pneumológico de Santarém roubam-lhe disponibilidade. A especialista reconhece que era benéfico haver mais respostas do sistema de saúde público nessa área, mas os médicos especializados não abundam e concentram-se sobretudo nos grandes centros urbanos.“É pena, porque há pessoas motivadas para deixar de fumar e que não têm acesso à consulta”. Para a médica era positivo investir na formação nesse sector específico, mas, como ressalva, essa situação ultrapassa-a. “Gostava muito de ter quem me ajudasse para poder ajudar essas pessoas”, diz. João Calhaz
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