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GNR de São Facundo à beira do despejo

Proprietário da casa onde funciona o posto quer dar imóvel aos filhos

O proprietário da casa quer dá-la aos dois filhos e por causa disso está disposto a deixar sem guarida os elementos do posto da GNR, que funciona ali há 40 anos.

Edição de 31.05.2006 | Sociedade
Manuel Pedro Rodrigues está farto de receber uma ninharia de renda mensal que a GNR paga pela casa, propriedade sua, que há 40 anos serve de posto aos homens da Guarda de São Facundo, Abrantes.A quantia paga pelo aluguer da casa - 7,5 euros – nunca foi revista ao longo das últimas quatro décadas, para desespero de Manuel Pedro Rodrigues. Que há meia dúzia de anos não se coibiu de escrever ao Presidente da República, Jorge Sampaio, a pedir-lhe uma “ajuda” para resolver a situação. Na volta do correio recebeu a resposta de que o seu pedido tinha sido enviado ao ministro.Que também foi lesto a responder-lhe –“Disse-me que em breve iria solucionar a questão”. Até foi contactado pelo comandante, à altura, do posto de São Facundo, que lhe prometeu um aumento da renda.Só que os anos foram passando e da actualização do aluguer nada. Cansado da situação, Manuel Pedro Rodrigues resolveu pôr mãos à obra e resolver, ele próprio, o problema. A casa onde funciona o posto, paredes-meias com a sua habitação, vai ser doada aos dois filhos.“A escritura está para ser marcada em breve” diz o proprietário, adiantando que o filho mais velho, com 60 anos, pretende vender o apartamento que possui em Abrantes e vir morar para perto dele. “E a GNR vai ter de dar a casa ao meu filho”, afirma convicto.A intenção de Manuel Pedro Rodrigues apanhou de surpresa os responsáveis do Grupo Territorial de Santarém da GNR. Em declarações a O MIRANTE o major Pereira diz que o proprietário nunca manifestou qualquer vontade de despejar os guardas do posto de São Facundo.Admitindo que o valor da renda “já não faz sentido hoje”, o major Pereira refere no entanto que, no mínimo, o proprietário deveria ter contactado os responsáveis do grupo territorial para esclarecer a situação.“O que eles pouparam por não terem revisto a renda ao longo destes anos já dava para construir um posto na Bemposta”, diz Manuel Pedro Rodrigues, referindo-se a um despacho governamental de 2000 que previa a extinção do posto de São Facundo e criação de um novo posto na freguesia vizinha da Bemposta.O major Pereira confirma esse despacho, saído até em Diário da República, que dava conta de alterações de nível organizacional e operacional na área de intervenção do comando de Santarém. “Foi uma decisão política da altura, que nunca chegou a ser implementada”, justifica o graduado da GNR de Santarém. Que não sabe como o problema de São Facundo será resolvido. “Vamos ver”, diz.Margarida Cabeleira

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