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Presidente de câmara vaiada em Alhandra

Presidente de câmara vaiada em Alhandra

Populares não aceitam monumento à Tauromaquia

Assobios, vaias e injúrias à presidente da câmara marcaram a inauguração do monumento à tauromaquia em Alhandra. Alguns populares recusam que a vila seja segunda escolha e dizem que a escultura não se enquadra no local.

Edição de 31.05.2006 | Sociedade
“Isto é uma vergonha. Leva-a para o teu quintal”, gritou um homem enquanto a presidente da câmara de Vila Franca e o presidente da junta de Alhandra retiravam a bandeira portuguesa que cobria a placa colocada na base do monumento à tauromaquia, inaugurado no sábado, no passeio ribeirinho de Alhandra.A escultura de Manuel Patinha foi a vencedora de um concurso nacional com seis projectos e representa um toiro e um forcado, mas num registo abstracto. A peça foi planeada para ser colocada junto à praça de toiros de Vila Franca de Xira, mas os forcados locais não aceitaram e assumiram a realização de uma segunda escultura que será inaugurada no dia 30 de Junho. O sentimento da segunda escolha caiu como uma ofensa junto de alguns populares de Alhandra. O discurso da presidente da câmara foi várias vezes interrompido por assobios, vaias e até insultos. “Mete um saco na cabeça, tem vergonha”, gritou Sofia Almeida, 25 anos, uma das vozes mais inconformadas.Maria da Luz Rosinha reagiu e acusou os manifestantes de falta de educação e civismo. Foi mais longe e chamou ignorantes aos que não aplaudem o monumento. “Ignorante é você que gasta o nosso dinheiro desta forma com tanta fome no concelho”, respondeu um jovem. O discurso continuou e voltou a ser interrompido com várias referências ao passado. “União Nacional nunca mais, já é tempo de ouvir o povo”, gritou Jorge Cavaco perante o olhar atento de dois agentes da GNR de prevenção no local.O munícipe defende que a população deveria ter sido ouvida numa sessão pública da assembleia de freguesia. “Isto não tem nada a ver com Alhandra. A população não quer esta vergonha aqui. Alhandra foi uma terra de jovens forcados valentes e merece mais respeito.”, afirmou João Alfredo Formigo, 61 anos, com a voz alterada e bracejando. O alhandrense mostrou-se disponível para participar num movimento a favor da retirada da escultura do local.Um sentimento partilhado por dezenas de munícipes que entregaram um abaixo-assinado na junta de freguesia dias antes da inauguração.O presidente da junta considera que o monumento é uma obra que vai valorizar a zona ribeirinha de Alhandra e um espaço nobre da vila. Jorge Ferreira considera que os protestos resultaram da falta de esclarecimento de alguns populares.Escultura foi vandalizadaNa sequência do descontentamento a escultura foi vandalizada com pinturas vermelhas e frases de protesto. Um crime que a presidente da câmara não deixou passar impune e apresentou queixa contra desconhecidos na GNR local.No final da cerimónia, que não contou com a presença do escultor Manuel Patinha por motivos profissionais, em declarações a O MIRANTE, Maria da Luz Rosinha desvalorizou o incidente e considerou que os aplausos foram em maior número que os assobios. “É uma obra de arte de grande qualidade e que se enquadra com as tradições taurinas de Alhandra, muito mais antigas que as de Vila Franca”, disse.Questionada sobre a ausência das figuras da festa na inauguração referiu que “foram convidados” e ironizou: “talvez o forte calor os tenha impedido de estar presentes”.Os forcados de Vila Franca de Xira participaram na inauguração, mas recusaram incendiar a polémica. “É uma obra abstracta como sempre dissemos, mas não faço mais comentários”, disse Vasco Dotti, o cabo do grupo que deu voz ao voto contra quando integrou o júri que escolheu a escultura de Manuel Patinha.O líder do grupo está “muito satisfeito” com o monumento ao forcado concebido por José Miguel Franco de Sousa que será inaugurado junto à praça de toiros de Vila Franca na sexta-feira de colete encarnado.Já a presidente da câmara, confessou a O MIRANTE que gosta mais do monumento de Alhandra e não revelou os custos das duas obras que serão integralmente suportados pelo orçamento municipal.Nelson Silva Lopes
Presidente de câmara vaiada em Alhandra

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