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Relações perigosas com o cigarro

Relações perigosas com o cigarro

Tabaco é um vício que mata

Todos reconhecem que o tabaco mata, mas poucos conseguem vencer o vício. O MIRANTE divulga as relações perigosas das nossas figuras públicas com o cigarro.

Edição de 31.05.2006 | Sociedade
Tinha 25 anos quando “na brincadeira” fumou o primeiro cigarro. Nesse dia, Maria Teixeira estava longe de imaginar que viria a tornar-se uma dependente da nicotina que fuma dois maços de tabaco por dia. Hoje, 23 anos depois, amaldiçoa o vício que diariamente lhe rouba um bocadinho da sua vida. Maria Teixeira integra o grupo de mais de um bilião de fumadores em todo o mundo. Fumar é um hábito milenar com origens no final do século XV em que era mascado ou aspirado sob a forma de rapé. Pouco depois o cigarro já era consumido enrolado manualmente ou com a ajuda de máquinas de enrolar.Depois de anos de promoção, só em meados da década de 80 se começaram a divulgar os malefícios do tabaco. A doença mais associada ao consumo do tabaco é o cancro, que pode ocorrer nos pulmões, na laringe, na faringe ou na boca. Os problemas respiratórios agravam-se e o sistema cardiovascular é igualmente afectado.De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o tabagismo é responsável por mais de 80 por cento dos casos de cancro do pulmão. O tabaco constitui-se como a segunda causa de morte em todo o mundo, matando cerca de cinco milhões pessoas anualmente.Em Portugal, o tabaco é responsável por cerca de 12 mil mortes por ano. Dados recentes apontam para uma redução da percentagem de fumadores de 36 para 17 por cento nos últimos anos. No entanto, os números também revelam um aumento do consumo entre as mulheres, uma percentagem de 14 por cento.Luzia Neves insere-se neste grupo. Começou a fumar nos tempos de juventude, com pouco mais de 14 anos, na altura em que os miúdos têm tendência para imitar os adultos. Aos 56 anos a presidente do conselho executivo do agrupamento de escolas de Samora Correia já conseguiu reduzir de um maço por dia para cinco ou seis cigarros, mas foi preciso o medo para superar parte do vício. Há alguns anos teve um problema nas cordas vocais que a deixou assustada. Um passo importante para afastar Luzia Neves da nicotina, embora continue a sentir necessidade, sobretudo para se concentrar no seu trabalho.Fumadores convictosReconhecendo os malefícios do tabaco Sandra Marcelino diz que ainda não está preparada para deixar de fumar. “Nunca tentei deixar de fumar. Sei perfeitamente que me faz falta, sou viciada. Talvez um dia tenha força”, refere. Aos 34 anos, Sandra Marcelino, que ocupa actualmente o lugar de presidente da Assembleia de Freguesia de Vila Franca de Xira, conta já com 20 anos de dependência que a obrigam a consumir, no mínimo, um maço de cigarros por dia.Manuel Valente adquiriu o hábito de fumar durante a guerra colonial e hoje consome um maço por dia. No entanto, o presidente da Junta de Freguesia de Vialonga assegura que “quando eu quiser deixar de fumar, eu deixo”. Assim foi há alguns anos quando um problema de saúde o levou a deixar “pacificamente” o vício. Retomou depois para fazer frente à tensão do dia a dia e para se concentrar no trabalho. A procura de concentração é uma das justificações mais ouvidas entre os que se renderam à nicotina. José Neves é médico e um fumador inveterado. Chegou a fumar 40 cigarros por dia, mas hoje fica-se pelos 10. Começou a fumar na juventude quando o próprio governo português incentivava ao consumo.O dia de trabalho no Centro de Saúde da Castanheira é passado numa correria para se esconder num cantinho para fumar um cigarro. “Aos pacientes aconselho o corte no tabaco à luz dos conhecimentos que tenho, embora reconheça que é um mau exemplo.” Sara Cardoso
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