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A Dança da Vida no palco do Ateneu

A Dança da Vida no palco do Ateneu

Grupo de Teatro Esteiros apresenta-se em Vila Franca de Xira

Traição, incesto e mentira, são alguns dos ingredientes da peça “A Dança da Vida”, que o Grupo de Teatro Esteiros leva ao palco do Ateneu Artístico Vilafranquense, no sábado, 7 de Outubro.

Edição de 04.10.2006 | Cultura e Lazer
Fecha-se os olhos, inspira-se fundo. Debita-se texto a fio. Experimentam-se gestos e movimentos, enquanto as luzes mudam de cor. Foi assim um dos últimos ensaios da cena entre Regina e Jakob Engstrand, personagens da obra “A Dança da Vida”, de João Lopes.Um capitão do mar contaminado com uma doença crónica causada por uma vida promíscua, uma esposa preocupada com as aparências e uma filha interesseira, são algumas das personagens que compõem a história do encenador do grupo Esteiros, João Lopes. “A Dança da Vida” é o resultado de uma mistura entre as ideias do quadro com o mesmo nome do pintor Edvard Munch e a peça “Espectros” do escritor Henrik Ibsen, ambos noruegueses e polémicos.A Senhora Alving renuncia dos seus objectivos para cuidar da doença do marido, a fim de manter uma aparência respeitável, depois de já o ter traído com o melhor amigo, o Padre Manders, interpretado pelo encenador. Afastou de si o filho, para que este mantivesse uma imagem idealizada do pai, tentativa que viria a falhar, pois ele adopta um estilo de vida desregrado, tal como o seu progenitor. Regina, filha mais velha do casal, com uma pose ingénua revela-se uma calculista interessada apenas em dinheiro. É este o núcleo do drama familiar, que gira em torno da mentira nas relações.Apesar do texto original remontar ao século XIX, o encenador conseguiu transpor os acontecimentos para os nossos dias. Várias questões sociais, polémicas e constrangimentos, que estão mais presentes do que nunca, serão abordados numa obra profunda no palco do Ateneu de Vila Franca de Xira, pelas 21h30. Aos interessados, João Lopes explica que “A Dança da Vida” não é um espectáculo “para todos os públicos, pois gira à volta de questões problemáticas e está carregada de simbolismos, aos quais é preciso ter atenção”. “Não é uma peça para quem procura entretenimento, é para quem quer entrar em contacto com uma peça que é um clássico do teatro moderno, com um texto riquíssimo, que trata aspectos fulcrais da vida.”, acrescenta.A encenação da peça já fazia parte dos objectivos do encenador e actor de 46 anos, que integra o grupo Esteiros há 25 anos. O concretizar do seu objectivo acabou por coincidir com o centenário da morte de Henrik Ibsen, autor do original, “por mero acaso”. Apesar de ainda não ter apresentado a peça, prepara já a próxima obra que vai chamar-se “Interrogatório”. Uma história “ainda mais profunda” que a anterior, confirmando a sua tendência para o teatro que incide nas preocupações de natureza social.Liliana Martins
A Dança da Vida no palco do Ateneu

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