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Guerra aberta na Junta de Pedrógão

Troca de galhardetes gera clima de mau estar e desconfiança

Uma visita nocturna de elementos da oposição à sede da junta, numa altura em que o presidente se encontrava ausente no estrangeiro, fez disparar a polémica.

Edição de 04.10.2006 | Política
O presidente da Junta de Freguesia de Pedrógão, Torres Novas, Silvino Rosa (CDU), garante que lhe querem montar uma cilada. O presidente da assembleia de freguesia, João Cerqueira (PS), e a secretária da mesma junta, Helena Bairro (PS), são os visados que, por seu lado, acusam Silvino Rosa de não respeitar os preceitos democráticos. O verniz estalou depois de uma visita nocturna, por parte de João Cerqueira e Helena Bairro, à sede da junta. Os dois socialistas garantem que estiveram a trabalhar. Mas o presidente da junta desconfia da “visita clandestina” dos dois políticos da oposição. No dia 14 de Setembro, o presidente da assembleia de freguesia e a secretária da junta entraram na sede da autarquia perto das 21h00, sem dar conhecimento a ninguém. Dizem que estiveram a fotocopiar actas e a assinar as convocatórias da última reunião da assembleia. Durante duas horas o sistema de vídeo-vigilância gravou tudo. Mas a partir das 23h00 deixou de funcionar. E só por isso é que o presidente da junta ficou a saber que alguém entrou no edifício nessa noite.“Na manhã do dia seguinte, a funcionária reparou que o sistema tinha disparado e chamou o tesoureiro para ver o que se passava. Telefonaram para os técnicos e eles disseram-lhes como é que podiam voltar a activar o sistema. Foi nessa altura que se aperceberam de que eles tinham entrado cá dentro durante a noite”, explica Silvino Rosa.Na noite em questão, o presidente da junta encontrava-se fora do país e tinha delegado as suas funções no tesoureiro até ao seu regresso. Quando soube do sucedido estranhou a situação e ficou imediatamente de alerta: “Não entendo e acho muito estranho que tenham vindo aqui tirar fotocópias de actas e assinar convocatórias durante a noite, quando o podiam fazer de dia, durante o horário do expediente. Muito menos, tendo em conta que o fizeram às escondidas, sem avisar ninguém”, diz Silvino Rosa.Indignado com a situação, o presidente da junta garante que nunca recusou a consulta de documentos a nenhum membro da assembleia, mas não admite que alguém entre no edifício “para remexer e fotocopiar documentos sem autorização”: “Não tenho nada a esconder e estou de consciência tranquila. Ao contrário do que muita gente pensa, eu não ando aqui a dormir, e já percebi que me querem montar uma cilada. Mas, a única coisa que posso dizer a essas pessoas é que não vou saltar fora e vou cumprir o meu mandato até ao fim. A não ser que os eleitores o exijam”, garante Silvino Rosa.Disposto a “pôr tudo em pratos limpos”, o presidente da junta entrou de imediato em contacto com um inspector da Polícia Judiciária de Leiria: “Queria saber se me podia entregar voluntariamente, para que eles viessem fazer uma vistoria a todos os documentos. Mas disseram-me para aguardar, porque se houvesse alguma coisa contra mim, deviam ser eles a avançar com uma queixa”, conta Silvino Rosa.Todos de consciênciatranquilaConfrontados com as suspeitas do presidente da junta, João Cerqueira e Helena Bairro garantem que na noite em que estiveram no edifício da junta de freguesia não tiveram qualquer intenção de investigar fosse o que fosse. E que se limitaram a preparar a sessão da assembleia municipal que se iria realizar dentro de uma semana. Não o fizeram durante o dia, em horário de expediente, porque só àquela hora estavam disponíveis para se deslocar à junta.João Cerqueira diz que Silvino Rosa “não está habituado a discutir democraticamente as ideias, mas sim a impô-las”: “Estava a habituado a ter maiorias absolutas e agora que tem oposição não sabe lidar com isso. Como a secretária da junta integra a lista do PS e se opõe por diversas vezes às decisões do presidente, isso tem dado azo a frequentes conflitos entre ambos”.Carla Paixão

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