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Câmara da Chamusca continua com os leilões

PS diz que a história do concelho está a ser vendida ao desbarato

A oposição socialista diz que se podem estar a cometer actos ilícitos. O presidente da câmara desvaloriza as críticas e diz que os objectos leiloados valem zero no cadastro do município.

Edição de 04.10.2006 | Sociedade
Móveis, pinturas e esculturas naif, peças antigas que deixaram de ser usadas nas escolas do concelho ou nos serviços municipais e outros objectos, como duas motorizadas que serviram para a prevenção de fogos florestais, foram vendidos em mais um leilão pelo presidente da Câmara da Chamusca, Sérgio Carrinho (CDU).No sábado, o autarca, que já vai na terceira sessão do género, voltou a mostrar excelentes dotes de pregoeiro. Quem não parece apreciar muito essa faceta é a oposição socialista. Na sessão de sexta-feira da assembleia municipal, a bancada do PS pediu, por intermédio do presidente da assembleia, esclarecimentos sobre os objectos que estão a ser “vendidos ao desbarato”.Os socialistas temem que estejam ser vendidos objectos que fazem parte da história do concelho ou que tenham sido oferecidos por pessoas que ainda têm familiares vivos e que podem sentir que a memória deixada pelos seus parentes está a ser desrespeitada. Acrescentam que também podem estar a ser vendidos “objectos que foram comparticipados pelos fundos comunitários, podendo assim estar a ser feita mais alguma ilegalidade”.Os socialistas demarcaram-se dos leilões, garantindo que no futuro não podem ser co-responsabilizados por qualquer ilícito cometido pelo presidente da câmara. Na resposta, Sérgio Carrinho recusou fazer qualquer relação de bens vendidos, limitando-se a garantir que os objectos que estão a ser leiloados valem zero no cadastro do município. Indiferente aos protestos do PS, Sérgio Carrinho continuou no sábado as sessões do leilão. Um grupo de pequenos frascos e um também pequeno corrimão de alumínio, foram as primeiras peças a ser vendidas na terceira hasta pública que a Câmara da Chamusca tem vindo a promover. Para, como diz o presidente, se desfazer de alguns materiais que estavam a ocupar espaço nos armazéns municipais e trazer mais alguns milhares de euros para os depauperados cofres da autarquia.“Os mais de mil objectos velhos que só enchiam os armazéns da autarquia e sem qualquer valor patrimonial já renderam mais de 25 mil euros, que bastante jeito fizeram”, disse o autarca na assembleia municipal.“Quem dá mais?” “Temos aqui umas estrelas em alumínio. São peças que pertenciam aqui a este lagar, (local onde se realizava o leilão), serviam de candeias de azeite para alumiar os lagareiros, valem cinco euros cada uma. Ninguém dá mais?”, pergunta o presidente da câmara na manhã de sábado. As cinco estrelas foram vendidas por mais um ou dois euros.Sérgio Carrinho conhece de cor praticamente a proveniência de todos os objectos e alguma história de todos eles. Por isso quando chega junto de um bocado de pedra, com alguns desenhos exclama: “É uma parte de um marco dos templários, são 100 euros quem dá mais?”. Há várias licitações e o marco acaba por ser arrematado por 950 euros. Foi das peças mais caras do leilão. Um dos vereadores da autarquia licitou até aos 150 euros uma placa antiga, em mármore, com a informação que um determinado edifício tinha sido concluído sob o Governo da Ditadura Nacional, em 1931.

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