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Irregularidades por esclarecer

Ainda não há conclusões das investigações realizadas
Edição de 04.10.2006 | Sociedade
No relatório de 17 páginas sobre a situação financeira do clube, iniciado após a tomada de posse dos actuais corpos gerentes (3 de Novembro de 2005), é descrito com algum pormenor o caos financeiro em que o clube se encontra e denunciadas várias irregularidades cometidas por elencos directivos anteriores.O MIRANTE tentou obter resultados das investigações desencadeadas pela Polícia Judiciária e pela Direcção Geral de Contribuições e Impostos, mas os processos permanecem em segredo de justiça.Uma das situações que salta mais à vista no relatório é a diferença dos valores contabilizados em caixa e que realmente existiam quando o Conselho Fiscal procedeu à contagem física do dinheiro e valores existentes nos cofres do clube, na sede e na sala de bingo.Na caixa respeitante às contas do Desporto, em vez dos mais de 234 mil euros contabilizados, estavam apenas 3,59 euros. Na caixa do bingo, em vez de 98 mil euros, estavam pouco mais de mil. Ao todo, a diferença entre o que se dizia que estava nas caixas e o que realmente lá se encontrava, ultrapassa os 331 mil euros.Outra situação que não está totalmente clara é a dívida ao ex-presidente Machado Lourenço. Há cerca de 133 mil euros que o clube alegadamente deve ao ex-director, mas cujos registos de dívida, segundo o relatório, não estão acompanhados de quaisquer documentos de despesas (facturas, talões e/ou recibos), além de folhas denominadas “Título de Dívida” assinadas pelo presidente e pelo tesoureiro.As diferenças entre as contas apresentadas em assembleia-geral e apuradas pelo fisco também são abismais. Na época de 2000/2001, os sócios votaram um prejuízo de 180 mil euros, mas o fisco reclama um resultado positivo de 345 mil euros. Uma diferença de mais de meio milhão de euros.Pior ainda é o que se passa no exercício de 2001/2002, igualmente da responsabilidade da direcção de Machado Lourenço. À assembleia-geral foi levado um prejuízo de 164 mil euros, mas as contas do fisco indicam um resultado positivo de 619 mil euros.O Vilafranquense está em situação de falência técnica, uma vez que, em Março de 2006, o passivo de 3,7 milhões de euros esmagava o activo de 2,6 milhões de euros.

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