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Não há placa que se aguente

Não há placa que se aguente

Moradores de Vale do Calvo usaram electrodomésticos como sinal de protesto mas foi sol de pouca dura

Um frigorífico e uma máquina de lavar roupa foram transformados em placas de informação pelos moradores, fartos de serem esquecidos pelo município. Mas estiveram lá menos de 24 horas.

Edição de 04.10.2006 | Sociedade
Não houve automobilista que na última quarta-feira não abrandasse para observar o frigorífico e a máquina de lavar colocadas junto à Estrada Nacional (EN) 113, que liga Tomar a Ourém, a indicar a localidade de Vale do Calvo. Esta foi a forma de protesto encontrada pelos moradores contra o esquecimento a que estão votados.Cansados de pedirem à Câmara Municipal de Tomar a colocação de placas que indiquem a localidade, alguns moradores puseram mãos à obra e na manhã de 27 de Setembro instalaram os velhos equipamentos junto a uma das mais movimentadas vias de acesso a Tomar.Mas as singelas placas só se aguentaram um dia. Nessa mesma noite, o frigorífico e a máquina de lavar foram retirados do local por alguém que os “despachou” para debaixo de um eucaliptal, a meia dúzia de metros do local. “Isto é uma pouca-vergonha”, desabafou ao nosso jornal Custódio Ferreira, um dos moradores.Desde 2002, altura em que as placas então colocadas pelo município desapareceram, que os moradores têm tentado sinalizar a aldeia das mais diversas formas – através de placas em madeira, em chapa de ferro, até com uma velha televisão. Até agora todas foram destruídas e vandalizadas não se sabe por quem.João Simões e Custódio Ferreira residem em Lisboa mas vêm todos os fins-de-semana à terra que os viu nascer. Foram os principais mentores da iniciativa de protesto porque afirmam-se fartos de ver a aldeia, com cerca de 200 habitantes, esquecida por quem está no poder. Nem a oposição à maioria social-democrata escapa – “o que é que os vereadores independentes e do PS estão a fazer lá na câmara?”, questiona Custódio Ferreira.É por isso que além das inscrições com o nome de Vale do Calvo (e da aldeia vizinha) os habitantes quiseram ir mais longe e dar um recado público ao presidente da câmara, António Paiva (PSD). Na frente do frigorífico, em letras garrafais, escreveram – “senhor presidente da CMT, se não sabe servir o concelho vá para a sua terra. Agradecemos”.Os moradores presentes no local contaram inúmeras histórias de equívocos provocadas pela falta de sinalização da aldeia na EN 113. “Em 2004 houve em Vale do Calvo uma prova de atletismo a nível nacional mas boa parte dos atletas chegou a meio da prova e outros praticamente no final porque andaram perdidos entre Ourém e Tomar”, exemplifica Custódio Ferreira.Ao nosso jornal o presidente da Junta de Freguesia de Beselga disse até já ter dinheiro disponível para comprar ele próprio as placas. Mas numa reunião com o executivo camarário foi-lhe dito pelo vereador Calos Carrão que nem a junta nem a câmara tinham autoridade para fazer tal obra.Segundo o vereador Carrão, só a Estradas de Portugal (EP) pode colocar as placas, uma vez que esta é uma estrada nacional. E garantiu à população que irá enviar um ofício à EP no sentido de colocar no local as devidas placas informativas o mais rápido possível.Margarida Cabeleira
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