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Quatro assaltos em menos de uma hora

Quatro assaltos em menos de uma hora

Grupo armado lança pânico em Vila Franca e Póvoa de Santa Iria

Um grupo de jovens armados está a lançar o pânico na região. Na sexta-feira fizeram quatro assaltos seguidos e ameaçaram matar um agente da PSP que os tentou interceptar.

Edição de 04.10.2006 | Sociedade
Dois cafés na Póvoa de Santa Iria, outro de Povos, Vila Franca de Xira, e um clube de vídeo, na mesma localidade, foram assaltados à mão armada ao início da noite de sexta feira, 29 de Setembro, por um grupo formado por três homens, todos de raça negra, cada um empunhando uma pistola. Tudo indica que o bando armado é o mesmo que nas últimas semanas efectuou vários assaltos na região, assim como na margem sul do Tejo, transportando-se num Audi verde.A forma de actuar é em tudo semelhante. Os três entram de rompante e um dos marginais dirige-se de imediato para o interior do balcão para abrir a caixa registadora. Os outros controlam os proprietários e os clientes, mantendo-os em respeito sob a ameaça das armas de fogo, ao mesmo tempo que lhes roubam tudo o que tenha valor: ouro, telemóveis e dinheiro.Foi assim que aconteceu no café Rosita, no Bairro das Bragadas, na Póvoa de Santa Iria, na passada sexta-feira. Faltavam cerca de quinze minutos para as oito horas da noite. Maria Rosa Pinto, a proprietária, encontrava-se sentada numa mesa com um casal de clientes quando os marginais entraram. “Um apontou-me a pistola e arrancou-me do pescoço o fio de ouro com uma medalha. Tentou também roubar os clientes”, conta Dona Rosita, estabelecida há mais de 24 anos na Rua Che Guevara, nas Bragadas.Outro gatuno entrou para o balcão, abriu a caixa registadora, e retirou mais de 300 euros em dinheiro. “Antes de fugirem ainda deitaram a mão a três garrafas de whisky de 12 anos e a um telemóvel”, diz a proprietária do café Rosita, recordando que dois meliantes eram altos e outro mais baixo. Actuaram com a cara descoberta embora dois deles tivessem os capuzes das camisolas na cabeça. Segundo a vítima os indivíduos aparentam ter cerca de 20 anos.Este foi o primeiro assalto cometido pelo grupo na incursão realizada na sexta-feira passada no concelho de Vila Franca de Xira.Os marginais encetaram a fuga numa viatura estacionada a alguns metros do local e dirigiram-se para o restaurante Casa do Jorge II, no Bairro dos Quintais, também na Póvoa de Santa Iria, cujo assalto não lhes correu bem. O proprietário resistiu e os meliantes acabaram por ir embora.De acordo com Maria Rosa Pinto, amiga do casal que explora aquele restaurante, “o moço contou-me que ainda tirou uma pulseira e um fio de ouro no valor de 2.500 euros, para entregar aos ladrões, mas acabou por guardar os objectos e dizer ao ladrão que não entregava”, conta a dona do café Rosita.Meia hora depois novo ataqueApós o assalto falhado, o grupo rumou a Povos, Vila Franca de Xira. Estacionaram o Audi em que se transportavam perto do acesso à ponte Marechal Carmona e dirigiram-se a pé para a Rua Direita. Os ladrões tinham como alvo o snack-bar “Ricomenino”, naquela artéria.“Estive à porta momentos antes do assalto, vi o grupo a alguns metros mas não suspeitei de nada”, refere José Noel Espanhol, proprietário do café, o primeiro a ser manietado quando o gang entrou no estabelecimento. Já passava das 20h30 e só lá estavam os proprietários, um familiar e uma cliente.“Um apontou-me uma pistola ao pescoço e levou-me para junto do balcão”, recorda, José Espanhol. Entretanto um dos elementos do grupo avançou para dentro do balcão, ameaçando a mulher do proprietário, apontando-lhe a pistola, enquanto o terceiro marginal controlou o irmão de Leonor Espanhol que estava sentado ao balcão.Uma cliente que estava a jogar numa máquina do café só se apercebeu do assalto quando o jogo foi interrompido por um meliante que lhe apontou uma pistola à cabeça.“Foi um horror. Ficámos todos em pânico...”, explica Leonor Espanhol que foi obrigada a entregar aos gatunos todo o ouro que tinha. “Supliquei para não nos fazerem mal e entreguei ao homem que estava dentro do balcão, duas pulseiras, um fio e um cordão, e duas argolas, tudo objectos em ouro, avaliados em centenas de euros. “Só me deixaram ficar a aliança em cima do balcão”, diz Leonor Espanhol.Todos os presentes foram revistados pelos meliantes que procuravam encontrar mais dinheiro e outros bens. “Tiraram-me por duas vezes a carteira do bolso, mas não a levaram. Ficámos atemorizados...”, adianta José Espanhol. Além do ouro os ladrões levaram o dinheiro que estava na caixa registadora e dois telemóveis.Antes de encetarem a fuga, os larápios assaltaram um clube de vídeo vizinho do snack-bar “Ricomenino”. José Manuel Lobo pensou que se tratava de uma brincadeira quando um dos assaltantes lhe entrou dentro do balcão, apontado-lhe a arma de fogo.“Só percebi que estava a ser assaltado quando vi que tinha uma pistola apontada ao peito e outra à barriga”, descreve o dono do clube de vídeo, que ficou sem o dinheiro que tinha no bolso da camisa, as moedas que estavam na caixa e o telemóvel.Os gritos de Leonor Espanhol levaram os ladrões a fugir rapidamente do clube de vídeo, mas levaram ainda uma caixa de chupa-chupas. Pela descrição feita pelas vítimas, tudo leva a querer que o grupo que assaltou os estabelecimentos de Povos é o mesmo que cometeu os assaltos na Póvoa de Santa Iria, momentos antes.José Bernardes
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