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Ler para analfabetos

Edição de 11.10.2006 | Entrevista
A primeira obra de “grande fôlego” que Manuela Poitout leu foi o “Amor de Perdição”. O livro foi-lhe parar às mãos por mero acaso, era ela ainda criança. “A minha mãe ensinava algumas raparigas a bordar. Eram umas cinco ou seis. Uma delas andava a ler o ‘Amor de Perdição’ e pedia à minha mãe para deixar o livro lá em casa porque os pais não gostavam que ela lesse romances daquele tipo. Então eu li o romance com 8 ou 9 anos”.O contacto com a obra de Camilo Castelo Branco tinha ocorrido algum tempo antes. “Eu tinha visto o ‘Amor de Perdição’ ser representado no teatro do Parafuso. Ainda me lembro de ver a Mariana na beira do palco, com as cartas do Simão e da Teresa no regaço a deitá-las para o mar, que era o chão da sala. Impressionaram-me muito aqueles amores contrariados. Depois apanhei o livro e devorei-o de uma ponta à outra”.O gosto pela leitura tinha começado mais cedo. Manuela Poitout recorda-se de ler livros infantis que lhe ofereciam. E de ler em voz alta para outras pessoas.“Hoje há as telenovelas. Antes houve os folhetins na rádio. E antes desses havia uns romances de cordel que eram vendidos em fascículos. Naquela altura havia muita gente que não sabia ler e eu lembro-me de estar a ler para um grupo de pessoas, os fascículos. Um dos romances chamava-se ‘Os Escravos do Amor’. E as pessoas estavam sempre ansiosas que chegasse o fascículo seguinte para saber como continuava a história”.

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