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Ribatejanos à força

Presidente da Câmara de Ourém não quer integrar CUMT e fala em “legislação disparatada”

O Governo prepara uma legislação que obrigará o concelho de Ourém a integrar a Comunidade Urbana do Médio Tejo (CUMT). Mas nem os autarcas da região nem o presidente daquele concelho pretendem essa mudança.

Edição de 11.10.2006 | Política
“Querem-nos obrigar a ser ribatejanos” diz o presidente da Câmara Municipal de Ourém, David Catarino (PSD), desagradado com a possibilidade de vir a integrar, já para o ano, a Comunidade Urbana do Médio Tejo (CUMT).O Governo vai fazer sair uma lei, previsivelmente no final deste ano, que obrigará as autarquias a ajustarem-se às comunidades urbanas das unidades territoriais (NUT) onde estão actualmente inseridas. Apesar de se ter associado à Área Metropolitana de Leiria (AMLEI) o concelho de Ourém pertence à NUT do Médio Tejo.Do mesmo modo, Mação e Vila de Rei, actualmente municípios que fazem parte da CUMT mas pertencem à unidade territorial do Pinhal Interior, terão de a deixar, embora esta “transferência”, já discutida no âmbito da comunidade, seja pacífica. Ao contrário da inclusão de Ourém, que não agrada a ninguém. No seio da Comunidade Urbana do Médio Tejo houve já vozes que se levantaram contra o facto de o concelho de Ourém ter de regressar. Recorde-se que antes do aparecimento das comunidades urbanas Ourém estava integrado nas associações de municípios do Médio Tejo e de Leiria em simultâneo e, com as novas divisões administrativas, optou por integrar a Área Metropolitana de Leiria.O presidente da Comunidade Urbana do Médio Tejo, António Paiva (PSD), confirma haver autarcas da região que discordam da inclusão de Ourém. “Há quem pense que a estar, Ourém terá de estar de corpo inteiro e não como no passado, dividida entre esta região e Leiria”, refere.Ourém também pensa assim, mas ao contrário. O presidente do município, David Catarino (PSD) diz que o seu concelho quer ficar de corpo inteiro na Área Metropolitana de Leiria, devido à lógica territorial e a um conjunto de interesses, nomeadamente ao nível do saneamento básico e do turismo, que têm com a região do Pinhal Litoral.Considerando “disparatada” a legislação a sair, David Catarino diz no entanto que aguarda a sua saída com tranquilidade e que a ninguém está conferido o direito de estar acima da lei. “Se há autarcas que não nos querem na CUMT nós também não gostamos de alguns mas teremos de conviver por causa de uma obrigatoriedade legal”.Para o autarca de Ourém o razoável era o concelho ser transferido para a NUT do Pinhal Litoral, como aliás já defendeu a Área Metropolitana de Leiria junto do Governo, “mas tal não foi possível”.“Gosto muito de ir comer uma sopa da pedra a Almeirim ou visitar o castelo de Almourol mas não me identifico com a região”, diz o autarca, adiantando que “não somos ribatejanos nem somos do Vale do Tejo”. Apesar disso, David Catarino garante que Ourém será um parceiro viável na CUMT como o foi na Associação de Municípios do Médio Tejo.Margarida Cabeleira

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