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Coleccionadores de memórias

Coleccionadores de memórias

Viciados em selos, moedas e até pacotes de açúcar

Moedas, selos, chávenas de café e até pacotes de açúcar. As repetições trocam-se e vendem-se. O coleccionismo é um verdadeiro vício para quem gosta de contar histórias com objectos.

Edição de 11.10.2006 | Sociedade
José Porfírio abre um pequeno saco desportivo sobre uma mesa do salão do Centro Cultural de Benavente. Retira uma lupa e arrasta uma caixa de madeira artesanal onde tem os selos de colecção meticulosamente organizados. É um dos últimos participantes a montar a banca na VI Expo-Feira Nacional de Coleccionismo, organizada pelo Núcleo Filatélico e Numismático de Benavente, que juntou mais de 120 coleccionadores no sábado. O coleccionador de selos, envelopes do primeiro dia e postais ilustrados, 64 anos, é reformado de um gabinete de contabilidade. Nenhum dos familiares é coleccionador. José Porfírio descobriu a magia de reunir selos com o sapateiro da terra.Tinha 14 anos quando conheceu o espólio do artesão. O bichinho ficou-lhe. Por essa altura começou a reunir selos em velhas caixas de sapatos de papelão. Hoje as suas estampilhas de colecção, depois de lavadas com água, são impecavelmente arrumadas nos álbuns que compra aos CTT. São os correios, onde tem conta aberta, que também o informam dos novos selos lançados. José Porfírio gosta de ter na sua colecção os exemplares mais recentes. O capricho é exigente financeiramente, mas o reformado prefere este a outros vícios.“Costumo dizer que gasto o equivalente a dois maços de tabaco por dia. Mas eu fico com os selos e os cigarros vão-se embora”, ilustra o coleccionador. O selo mais antigo é o de cinco réis. Data de 1855 e tem um valor comercial que já ultrapassa os 1282 euros.José Porfírio tem selos de vários temas. Os correspondentes que tem em vários pontos do mundo têm-lhe permitido obter alguns dos exemplares mais variados.Tal como José Porfírio também Armando Ferreira Carvalho, 60 anos, é um coleccionador compulsivo. As moedas e notas são a perdição do empregado bancário já aposentado, residente em Azambuja, já há 20 anos. “Quando entrei para o banco comprei uma edição de moedas e fui-me interessando pela numismática”.Encara o coleccionismo com paixão e seriedade. Ao seu lado tem o livro da cotação das moedas. Os preços vão oscilando, ao estilo de uma bolsa de valores. Um vintém de prata do Tempo de D. Manuel I, vale 45 euros. Para a banca da feira de Benavente trouxe apenas uma amostra do espólio. Moedas de prata são demasiado pesadas.No que toca ao peso dos exemplares da colecção Paulo Marques, 55 anos, professor de Educação Visual e Tecnológica, em Santarém, é um privilegiado. Respiga pacotes de açúcar vazios, o que permite trazer numa pequena caixa transparente exemplares das mais variadas marcas de café, cores e mensagens.“Comecei por coleccionar pacotes cheios de açúcar”, revela o coleccionador que passou para os pacotes vazios que não têm a desvantagem de romper-se ou caramelizar. Ao lado há selos, brindes redondos de Bolycaos, esferográficas, porta-chaves e calendários de bolso rigorosamente catalogados: tintas, sindicatos, política, seguros, produtos alimentares e lingerie. A ideia é trocar os repetidos. Uma tarefa dificultada para Laurindo Braga da Palma, um reformado da marinha mercante de Benavente, seduzido por tudo o que diz respeito a bombeiros. Lá em casa há um quarto reservado à colecção. Duzentas mil peças. Mais de 700 carros de bombeiros, telefones e medalhas. Não são todos os coleccionadores que têm um extintor com um nicho dedicado a Nossa Senhora.Ana Santiago
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