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O horror de ficar preso entre duas cancelas

O horror de ficar preso entre duas cancelas

Valdemar Vicente apanhou o susto da sua vida numa passagem de nível perto de Santarém

O caso passou-se há cerca de um mês mas o condutor não esquece a horrível sensação de ficar entalado no meio da linha de caminho-de-ferro.

Edição de 11.10.2006 | Sociedade
Valdemar Vicente não vai esquecer tão cedo o dia 2 de Setembro. Eram cerca de 17h45 quando se dirigia a casa de amigos para dois dedos de conversa. Entrou na estrada do Peso, junto à ponte da Asseca, em Santarém. Passados cerca de 300 metros aproxima-se da passagem de nível automatizada, sem guarda e com as cancelas ao alto. “Assim que passei a barreira senti a cancela a bater na traseira do meu carro. Fiquei em pânico”, recorda Valdemar Vicente.Com as duas cancelas fechadas e pouco espaço à frente para passar junto a uma barreira, o condutor teve mesmo assim o sangue frio suficiente para fazer marcha-atrás em curva para contornar a cancela. Pouco depois, assegura, passou o comboio no sentido sul-norte.“É inconcebível que, a partir do momento em que dispara o sinal sonoro e luminoso, apenas tenhamos cinco segundos até as cancelas se fecharem. Mal uma pessoa começa a atravessar já a cancela do lado contrário começa a descer”, lamenta Valdemar Vicente, que não voltou a passar no local. O MIRANTE confirmou que o tempo que medeia entre os avisos sonoros e luminosos e a descida das cancelas automáticas é muito escasso.Depois do episódio o condutor apresentou a situação ao chefe da estação de Santarém que o aconselhou a enviar uma exposição para um responsável da Estação de Santa Apolónia, em Lisboa. Até à data não recebeu qualquer explicação ou satisfação.No mesmo dia Valdemar Vicente voltou à passagem de nível e diz ter encontrado dois técnicos de volta de uma caixa junto à linha. Explicou-lhes o sucedido. A falta de aviso sonoro de um dos lados da linha foi rectificada e puseram-no em contacto telefónico com um superior. Mas daí nada adveio. “Só pretendo que este tipo de situação não venha a acontecer a outras pessoas que aqui passem. Porque agora falo disso calmamente mas na altura vieram-me as lágrimas aos olhos”, recorda Valdemar Vicente. O certo é que em conversa com pessoas da zona já lhe contaram que sucederam episódios idênticos com um automobilista e com o condutor de um tractor, que teve de partir a cancela para fugir da linha.O MIRANTE contactou a Rede Ferroviária Nacional (Refer), que gere o funcionamento da linha do Norte e as passagens de nível, mas não recebeu qualquer explicação sobre o assunto até ao fecho desta edição.Ricardo Carreira
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