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Posto de turismo reabre pela mão de dois artesãos

Posto de turismo reabre pela mão de dois artesãos

Edifício em Minde estava abandonado há mais de uma década

O posto de turismo de Minde reabriu as portas há duas semanas, depois de mais de 12 anos ao abandono, graças a dois artesãos da vila.

Edição de 11.10.2006 | Sociedade
Em cima da mesa redonda que ocupa boa parte da pequena sala do posto de turismo de Minde, uma velha mulher, de lenço preto em redor dos ombros, assa castanhas. Do outro lado um velho, também sentado, parece olhar para o infinito e no centro, uma réplica da Última Ceia de Cristo. As peças em barro que ocupam lugar de destaque no posto de turismo de Minde são de grande perfeição mas foram desclassificadas num concurso nacional de artesanato. Por terem sido consideradas peças de arte, diz quem as fez.António Lino de Aguiar tem mais de 400 peças moldadas em barro, feitas durante os últimos 20 anos, nos tempos livres do seu trabalho administrativo na Junta de Freguesia de Minde.Este ano, a pedido da câmara, o artesão deu um curso de cerâmica a várias pessoas do concelho, onde se incluiu Rosa Maria Rey, espanhola radicada na vila há mais de uma dezena de anos. Foi pela mão dos dois que, em apenas quatro meses, o edifício degradado do posto de turismo de Minde (concelho de Alcanena), abandonado há mais de uma década, ganhou vida própria.No final do curso Rosa Maria Rey queria arranjar um espaço para expor as suas peças e António Lino Aguiar lembrou-se do velho e degradado posto de turismo, pertença do Parque Natural das Serras D’Aire e Candeeiros (PNSAC). A localização privilegiada do edifício, na avenida principal da vila, junto ao cruzamento para Mira de Aire e Fátima, e o facto de estar fechado há mais de 12 anos, levaram os artesãos a sonhar dar-lhe uma utilidade que beneficiasse o concelho.Um sonho que se transformou em realidade depois de ultrapassados alguns entraves burocráticos entre a Junta de Freguesia de Minde, a Câmara de Alcanena e a direcção do PNSAC. A insistência dos artesãos em levar o projecto avante foi condimento fundamental para se cozinhar um acordo entre as três entidades, que acabaram por assinar um protocolo de parceria, ficando a junta de freguesia com a responsabilidade de gerir e manter o espaço.O dinheiro veio a seguir. E muita ajuda braçal voluntária. Pintaram-se paredes, colocaram-se novas vidraças, instalaram-se holofotes, alarme, ar condicionado. No exterior foram pregadas novas letras a anunciar o posto de turismo e todo o espaço em volta foi ajardinado, arranjando-se até um pequeno parque de estacionamento. António Lino Aguiar e Rosa Maria Rey olham embevecidos para o renovado espaço, inaugurado dia 27 de Setembro. “Estou mui contente”, diz com forte sotaque a espanhola de Barcelona que adoptou Minde como sua terra.Engenheira têxtil, Rosa Maria Rey deixou de trabalhar quando casou com um empresário de Minde ligado aos têxteis. Como “era complicado uma mulher entrar num negócio de homens”, dedicou-se à casa mas o bichinho da criatividade levou-a a enveredar pela cerâmica. Vendia os seus trabalhos em feiras e sempre que lhe perguntavam onde tinha o seu espaço de exposição respondia que ele não existia. Hoje, Rosa Maria Rey trabalha o barro numa sala do posto de turismo, mesmo por debaixo dos seus quadros de barro e vidro com flores e joaninhas. E já pode dizer às pessoas que podem apreciar o seu trabalho no posto de turismo de Minde. Ela e outros artesãos do concelho, agregados recentemente na Associação de Artesãos de Cabaça Seca, calão minderico para a palavra Alcanena.Margarida Cabeleira
Posto de turismo reabre pela mão de dois artesãos

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